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Investidores voltam à renda fixa

Em 2007, fundos multimercados captaram R$ 26,8 bi; neste ano, com turbulências, já perderam R$ 8,8 bi

Rosangela Dolis, O Estadao de S.Paulo

18 de fevereiro de 2008 | 00h00

Em 2007, a decepção com a queda das taxas de juros e o entusiasmo com o bom desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa, que subiu 42,11%) levaram investidores a migrar da renda fixa para fundos multimercados e de ações. Neste início de 2008, a alta volatilidade do mercado financeiro está levando parte desses investidores a fazer o caminho de volta. A migração ocorre, sobretudo, nos fundos multimercados.Depois de atrair R$ 26,84 bilhões líquidos em 2007, esses fundos começaram 2008 perdendo recursos. No ano, a perda acumulada até dia 15 estava em R$ 8,87 bilhões, a maior entre as categorias de fundos, segundos dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Desse total, R$ 7,82 bilhões são perdas líquidas de fundos multimercados que podem mesclar ações com renda fixa.O destino de boa parte do dinheiro que sai dos multimercados são os fundos DI, afirmam os analistas. Vistos como porto seguro pelos investidores, por oferecerem rendimento que acompanha as taxas de juros do mercado, os fundos DI, depois de encerrarem 2007 com perdas de R$ 16,33 bilhões, estão com captação líquida positiva de R$ 9,33 bilhões até o dia 15 de fevereiro.Para o professor Ricardo José de Almeida, do Ibmec São Paulo, a debandada dos multimercados tem a ver com o perfil do investidor desses fundos. "Ele é um investidor de renda fixa insatisfeito que busca uma aplicação que pague mais, mas opta pelo multimercado porque acha ações uma aposta muito arriscada."Para ele, esse é um investidor que não contava com rentabilidade negativa no investimento em multimercado. Por isso, quando a queda das bolsas em janeiro colocou no vermelho muitos desses fundos, "esse investidor se assustou". "Ele não tem a filosofia da renda variável", diz Almeida. Ele explica que, pelo tipo de gestão que esses fundos têm, em que o administrador pode comprar ações para compor a carteira ao lado de títulos de renda fixa, "o investidor deveria raciocinar em multimercado como raciocina em ações", ou seja, no longo prazo. "É o tipo de investidor mais próximo da renda fixa que da variável, que vai para o multimercado na expectativa de obter um algo a mais em relação à renda fixa, mas, se o risco da bolsa sobe, ele foge para o DI ou renda fixa" , diz Alcides Leite, professor de Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios.Para William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV de São Paulo, o motivo para a saída de investidores dos multimercados é a frustração com o rendimento. "As carteiras carregadas em ações balançaram na crise." Além disso, ele diz, nesses fundos o investidor viu que se está expondo a riscos desnecessários, pois no fim obtém rendimento próximo ao da renda fixa ou até menor, sem maiores riscos.Eid compara os retornos dos multimercados desde julho, quando houve o agravamento da crise imobiliária nos Estados Unidos, até o fim de janeiro com a dos fundos de renda fixa e DI no mesmo período. "Os fundos de renda fixa e DI, com retorno de 6,24% e com menor volatilidade, ganharam tanto dos fundos multimercados sem renda variável, que renderam 6% no período, como dos fundos multimercados mais apimentados, aqueles com renda variável com alavancagem, que renderam 4,52%", diz.Os fundos DI, embora estejam atraindo recursos dos fundos multimercados, também estão sofrendo forte concorrência da caderneta de poupança no público de pequenos investidores. A aplicação vem apresentando captação líquida positiva desde setembro de 2006; em janeiro, recebeu depósitos líquidos de R$ 1,18 bilhão.Segundo Eid, a migração do DI para poupança ocorre nos fundos com taxa de administração mais alta. Por causa desse encargo e da tributação do Imposto de Renda, eles acabam oferecendo rendimento menor que o da poupança. A caderneta é isenta de imposto e não tem taxa de administração.A competitividade da caderneta ante o DI depende também do prazo da aplicação. Isso porque nos DIs e demais fundos de renda fixa, o Imposto de Renda é regressivo - quanto maior o prazo, menor o imposto. Assim, para uma aplicação de até seis meses, em que a tributação é máxima, de 22,5% do rendimento, o fundo só vai oferecer rendimento maior que a caderneta se tiver taxa de administração inferior a 1,5%; para uma aplicação acima de dois anos, em que a tributação é a mínima, de 15%, o fundo ganha da caderneta se tiver taxa de administração inferior a 2,25%.

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