Investidores voltam a se interessar pela locação

Aluguel novo cresce 2% em março e acumula alta de 10% em 12 meses, superando o indexador do setor, o IGP-M, que registrou aumento de 1,94%

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Cresceu no início deste ano o interesse de investidores em comprar imóveis destinados à locação, apesar de a maior parte dos negócios estar voltada para a moradia própria. Com a crise, a credibilidade do mercado financeiro foi abalada, especialmente para os pequenos investidores, que voltaram a enxergar o imóvel como uma reserva de valor e uma possibilidade de ter renda.

Na Lello Imóveis, por exemplo, 15% das vendas fechadas neste começo de ano são de investidores interessados em locar o imóvel. "O interesse de comprar um imóvel para alugar voltou recentemente", diz a diretora da empresa, Roseli Hernandes. Ela destaca que a nova Lei do Inquilinato, que agilizou a retomada do imóvel no caso de falta de pagamento, associada à inflação baixa, deu sinal verde para os investidores.

Um fator que tem atraído investidores para a locação está estampado no valor dos aluguéis novos. Pesquisa do Secovi- SP revela que, em março, os aluguéis novos de casas e apartamentos em São Paulo tiveram aumento médio de 2% em relação fevereiro e alta de 10% nos últimos 12 meses. Foi a maior variação acumulada desde junho de 2009.

Enquanto os preços dos aluguéis novos estão nas alturas, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), o indexador usado para reajustar os aluguéis antigos, subiu 1,94% em 12 meses.

"Está voltando o interesse de comprar imóvel para locação", afirma o presidente do Secovi-SP, João Crestana. Ele observa que, nos últimos 20 anos, os planos heterodoxos para combater a inflação provocaram um desajuste no valor dos aluguéis e o mercado de locação ficou desinteressante para o locador.

Mas, com a estabilidade de preços, as mudanças de hábitos, como namorados morando em casas separadas, e agora a retomada do crescimento econômico, que provoca uma rotatividade maior de emprego, argumenta Crestana, a demanda para alugar um imóvel cresceu e a rentabilidade para o locador voltou a ser atraente. Nas suas contas, com o mercado aquecido, a renda do aluguel representa entre 0,75% e 0,80% do valor do imóvel. Anualizado, esse rendimento chega a 10%, superando o ganho com a poupança, de 6% ao ano.

Os sinais de aquecimento do mercado imobiliário são claros até para quem não é do ramo. A dentista Angélica Maria Jorge Ramos Rafael, de 45 anos, casada e mãe de três filhos, colocou à venda o seu apartamento de três dormitórios na Chácara Santo Antônio, para comprar outro maior no mesmo bairro.

"Vendi muito rápido o meu apartamento, em um mês e meio", conta ela, que está comprando um novo de quatro dormitórios. No prédio onde mora, houve negociações que saíram em nove dias. Além da rapidez do negócio, ela diz que a procura é tão grande que viu interessados em adquirir um imóvel deixarem o nome numa lista de espera na portaria do edifício.

Mudança de foco

Na época dos nossos avós, o investimento em imóveis era motivado pela segurança do negócio. Hoje é pela renda que a locação pode proporcionar, diz Ricardo Carazzai, diretor da Fernandez Mera.

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