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Investigação de sócio da Vale chega à Suíça

Polícia de Genebra faz busca na casa de Beny Steinmetz, suspeito de pagar propina para explorar mina africana; Vale comprou 51% da mina em 2010

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2013 | 02h12

Uma investigação internacional envolvendo um acordo que hoje está nas mãos da Vale na Guiné se espalha e faz até mesmo a polícia de Genebra lançar uma operação na residência suíça do magnata Beny Steinmetz.

A pedido da Justiça americana e do governo da Guiné, os suíços vêm mantendo uma série de investigações em torno da suspeita do pagamento de propinas pelo magnata na Europa ao ex-ditador do país africano, Lansana Conte, que morreu em 2008. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido dado em troca do direito de explorar de forma exclusiva uma das minas mais cobiçadas da África.

O centro da disputa é Simandou que, para muitos, poderia gerar até US$ 140 bilhões em 25 anos e que, hoje, está nas mãos da Vale. França e Reino Unido também lançaram investigações em torno do que poderia ser um dos maiores casos de pagamento de propinas na história recente da África.

Polícias de vários países querem saber como Steinmetz obteve os direitos de extração sobre a montanha de Simandou. O contrato lhe foi concedido nos últimos dias da ditadura de Conte, depois que o ditador expulsou a Rio Tinto do local onde atuava desde os anos 90.

Em 2010, o primeiro presidente democraticamente eleito do país, Alpha Condé, abriu investigações sobre como a empresa do magnata, a BSGR, obteve seu contrato sobre Simandou. Numa primeira etapa, testemunhas apontaram como o bilionário mandou presentes luxuosos a parentes do ditador e ao próprio mandatário. Entre os presentes estava um relógio de diamante e ouro, além de US$ 2,5 milhões em comissões a uma de suas esposas.

Outras testemunhas apontam que Conte teria assinado o acordo já na cama onde, dias depois morreria. Em troca, o magnata pagou US$ 165 milhões para desenvolver a mina.

Menos de dois anos depois, em abril de 2010, a BSGR venderia 51% de suas ações na mina por mais de US$ 2,5 bilhões para a Vale, um valor que assustou na época os mais experientes negociadores do setor.

O negócio levantou suspeitas e o governo da Guiné saiu em busca de ajuda internacional para determinar como um contrato de exploração foi adquirido por uma fração do que seria, meses depois, vendido para a Vale.

O caso acabou entrando no radar do FBI, nos EUA, que chegou a deter um sócio de Steinmetz, Frederic Cilins. Ele, em conversas gravadas pela polícia, teria dito à viúva de Conte, Mamadie Toure, que pagaria US$ 5 milhões para que ela destruísse documentos do contrato original de 2008.

A investigação ganhou novos contornos nesta semana quando a polícia de Genebra confirmou que fez uma busca na casa de Steinmetz. A iniciativa foi do Ministério Público da cidade, em um acordo de cooperação com o governo da Guiné.

Marc Bonnant, advogado do magnata, disse que Steinmetz está colaborando com as investigações, que foi ele quem convidou a polícia a sua casa e que a investigação na Guiné não passa de uma "campanha de intimidação e mentiras num esforço de ferir sua reputação".

Procurada pelo Estado, a Vale não comentou a questão.

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