Investigação sobe Schincariol durou 14 meses, diz PF

A Polícia Federal divulgou nota informando detalhes da "Operação Cevada", iniciada na madrugada de hoje e que investiga crimes de formação de quadrilha, sonegação fiscal e fraude no mercado de distribuição de bebidas. Segundo o informe da PF, é a maior operação de combate à sonegação fiscal da história, praticada por uma única empresa. "Durante os 14 meses de investigação, a Força-Tarefa apurou que o esquema criminoso beneficiava empresas ligadas ao grupo Schincariol", esclareceu a PF. A operação foi iniciada em 12 Estados e cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços de pessoas físicas e jurídicas investigadas pela operação, expedidos pela Primeira Vara Federal de Itaboraí. A operação acontece nos Estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Tocantins e Pará. Todos os mandados judiciais foram expedidos pela Justiça Federal de Itaboraí/RJ.De acordo com o comunicado, para cumprir os mandados, mais de 600 Policiais Federais foram destacados, além de 180 Fiscais da Receita Federal. Todas as apreensões serão encaminhadas para a Receita Federal no Rio de Janeiro onde passarão a ser analisadas por investigadores da Polícia Federal e Receita.A PF explica que as investigações iniciaram há cerca de dois anos pelo Serviço de Inteligência da Receita Federal no chamado caso "Pista Livre". Desde maio de 2004 foi montada uma força-tarefa cuja resultado foi a constatação de fraudes tributárias e de crimes conexos cometidos por várias empresa distribuidoras de bebidas "parceiras" em benefício do Grupo Schincariol e por outras vinculadas a esta. As ações concentraram-se nas indústrias de cervejas e refrigerantes do grupo, em especial as instaladas em Itu (SP), Cachoeiras de Macacu (RJ). Segundo informações da PF, além das empresas do grupo estão envolvidas no esquema as empresas Dismar Comercial Ltda, Disbetil Distribuidora de Bebidas Timbaubense Ltda, Fácil Comércio de Alimentos e Bebidas, Transpotencial Ltda e Mas Import Comércio e Distribuição de Bebidas Ltda. SubfaturamentoInvestigações da Polícia Federal indicam que o grupo Schincariol montou, com alguns de seus distribuidores terceirizados, um grande esquema de sonegação fiscal de tributos estaduais e federais, utilizando o subfaturamento na venda de seus produtos com o recebimento "por fora" da diferença entre o real valor de venda e o valor declarado nas notas fiscais. As informações constam do comunicado divulgado pela PF.Segundo o informe, a Polícia também identificou operações de exportação fictícia, intermediadas por empresas situadas em Foz do Iguaçu e importação com falsa declaração de conteúdo e classificação incorreta de mercadorias. De acordo com a PF, as investigações sugerem ainda que parte da matéria-prima usada nas fábricas ligadas ao grupo é adquirida sem a devida documentação fiscal, "envolvendo operações simuladas com empresas inexistentes ou de capacidade financeira insignificante, localizadas em Estados do Nordeste, como se fossem estas as adquirentes", esclareceu a PF. Segundo a Polícia, as importações de matéria-prima e de equipamentos para as fábricas são intermediadas por empresas do grupo sediadas na Ilha da Madeira (Portugal). Ainda segundo as investigações da PF, o esquema do grupo foi aperfeiçoado após sucessivas autuações dos fiscos estaduais e federal contra a Schincariol, que a partir de determinada época "começou a melhor maquiar e ocultar as práticas ilegais, assim utilizando os seus distribuidores para se eximir de responsabilidade", detalhou a PF. "Os lucros obtidos pelo grupo com a prática de sonegação são remetidos regularmente dos distribuidores parceiros para a sede do grupo em Itu/SP. Somente um dos distribuidores investigados chegava a enviar cerca de R$ 1 milhão por mês", informou a PF, no comunicado.

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