BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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ONS vai apresentar causas do apagão em 15 dias, mas investigação pode durar seis meses

70 milhões de pessoas ficaram sem energia em 13 Estados na quarta-feira por falha no linhão de Belo Monte; Ceará foi último a voltar à normalidade

Denise Luna e Renata Batista, O Estado de S.Paulo

22 Março 2018 | 18h20
Atualizado 23 Março 2018 | 00h11

RIO DE JANEIRO - O Operador Nacional do Sistema (ONS) finaliza em até 15 dias o relatório sobre a causa do apagão que deixou mais de 70 milhões de pessoas sem energia elétrica na noite de quarta-feira em 13 Estados. Em evento do setor elétrico nesta quinta-feira, 22, no Rio, autoridades do governo foram surpreendidas com uma nova queda de luz, que durou poucos segundos, mas chegou a dar um susto no diretor-geral do ONS, Luiz Barata.

“Já foi identificado, foi um problema da Light (distribuidora do Rio), mas claro que levei um susto”, admitiu Barata, que passou boa parte do evento tentando explicar o apagão de quarta-feira, que durou mais de cinco horas e afetou principalmente as Regiões Nordeste e Norte.

O apagão aconteceu por causa de uma falha detectada em um disjuntor de interligação de barramentos (cabos) na subestação Xingu, responsável pela distribuição da maior parte de carga gerada pela usina de Belo Monte, no Pará. Uma reunião com as empresas envolvidas no apagão será realizada com o ONS na segunda-feira, 23.

O operador informou que a interrupção do abastecimento de energia começou por volta das 16h, e a recomposição do sistema foi concluída às 21h. O Ceará foi o último Estado a ter o abastecimento de energia normalizado.

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Todas as regiões tiveram pelo menos algum subsistema afetado, mas Sul, Sudeste e Centro-Oeste foram normalizados em 20 minutos. No total, a perturbação, provocada por uma falha no disjuntor da subestação Xingu, responsável pelo escoamento da energia produzida por Belo Monte, causou um desligamento total no Sistema Integrado Nacional (SIN) de 19.760 megawatts, correspondendo a 25% da carga.

Segundo o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Tiago de Barros Correia, a investigação sobre a causa do apagão levará pelo menos seis meses para ser concluída. “Esse processo começa com o relatório do ONS, uma análise que a gente chama de termo de notificação, aí se garante a defesa prévia dos envolvidos e pode resultar em arquivamento ou em auto de infração, o tempo para isso é mais ou menos seis meses.”

Eletrobrás. Em clima de despedida do cargo, que deixa no dia 5 de abril para concorrer a deputado federal pelo MDB, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, não quis especular sobre as causas do apagão, mas destacou a rapidez da volta do abastecimento. “O importante é que o abastecimento foi restabelecido o quanto antes”, disse, ao chegar no evento.

O ministro afastou qualquer risco de fragilidade no sistema elétrico brasileiro, e disse que deixa a pasta, mas dará continuidade à agenda aberta por ele para o setor, como a privatização da Eletrobrás.

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“Estou animado que antes do período eleitoral tenho até meados do mês de julho para aprovar a agenda, mas a Eletrobrás tem de ser um pouco antes”, disse, informando que se houver espaço, quer participar da comissão que cuida da venda da empresa na Câmara dos Deputados, para onde voltará no dia 6 de abril.

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