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Investigações que rondam a JBS não impactaram negativamente resultados, diz CEO

Wesley Batista afirmou ainda que o processo de oferta pública inicial da empresa nos EUA está caminhando 'como o imaginado'

Camila Turtelli, Broadcast

14 de março de 2017 | 10h06

SÃO PAULO - O CEO da JBS, Wesley Batista, afirmou em entrevista ao Broadcast Agro que as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público que tangenciaram o universo da companhia recentemente não tiveram impacto negativo sobre seus resultados e operações. "De tudo o que teve até hoje a JBS não está ligada a nenhum desses casos que ocorreram; não tem vínculo com nenhuma dessas operações", ressaltou ele. 

No último ano, a controladora da JBS, a J&F, e membros da família Batista foram citados em investigações como a Operação Greenfield, que investiga supostas fraudes em fundos de pensão de estatais envolvendo, entre outros, a Eldorado Celulose - empresa da holding J&F.

"Eu especificamente fui envolvido em uma destas operações (a Greenfield). Nós apresentamos a defesa e está sob análise do Ministério Público, do juiz. Estamos confiantes de que a defesa mostra que o processo foi feito de forma correta e é isso", resumiu. Os irmãos Wesley e Joesley Batista (presidente da J&F e membro do conselho da JBS) chegaram a ser afastados do comando da empresa temporariamente em setembro do ano passado, mas firmaram um acordo com o Ministério Público Federal para retornarem aos cargos. 

Wesley afirmou, ainda, que as investigações não influenciaram o processo de oferta pública inicial (IPO) de ações da JBS Foods International nos Estados Unidos, protocolado em dezembro do ano passado, na Securities and Exchange Comission (SEC). "Não houve nada específico", disse. 

Ele afirmou, no entanto, que estas operações geram questionamentos no mercado de ações, entre investidores. "O mercado quer entender qual é o impacto e consequência que isso pode trazer", disse.

IPO nos Estados Unidos. Wesley Batista afirmou que o processo de oferta pública inicial (IPO) de ações da JBS Foods International nos Estados Unidos, protocolado em dezembro do ano passado, na Securities and Exchange Comission (SEC), está caminhando "como o imaginado".

"Estamos trabalhando no processo junto ao órgão regulador (SEC) e não dá pra falar muito porque depende do processo mesmo, mas está seguindo como a gente imaginava", informou Batista. 

Ele relatou que a empresa está satisfeita com suas operações internacionais e que o anúncio feito na última segunda-feira, 13, de aquisição da Plumrose USA, nos Estados Unidos, no segmento de embutidos, por US$ US$ 230 milhões, está em linha com a estratégia de construir marcas e adicionar produtos de valor agregado à JBS.

"É um segmento em que vínhamos trabalhando e em que queremos expandir nossa presença, principalmente no mercado norte-americano", afirmou.

Agora, a empresa não planeja novas aquisições relevantes para este ano e deve se concentrar na consolidação das compras feitas nos últimos anos (Moy Park, suínos da Cargill, Tyson no Brasil e México, entre outras). "Não deve ser um ano de aquisições relevantes para a JBS, de um modo geral; estamos focados em acabar de integrar", disse.

Ainda sobre as operações internacionais da JBS, Batista afirmou que ao longo do quatro trimestre de 2016 estas unidades compensaram o cenário desafiador encontrado pela empresa no Brasil, principalmente com aumento dos custos de produção. O grupo divulgou nesta segunda-feira, 13, os resultados financeiros para o fechamento do ano de 2016, com lucro de R$ 376 milhões, em comparação com ganhos de R$ 4,64 bilhões em 2015 - uma significativa queda de quase 92%. Entre outubro e dezembro do ano passado, a empresa teve lucro líquido de R$ 693,9 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 275,1 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. 

"Tivemos claramente um ano, e o quatro trimestre não foi diferente, desafiador nas operações do Brasil. No caso da Seara, tivemos um impacto bastante expressivo na alta dos grãos, principalmente no milho, na apreciação do real e em bovinos também (preços mais caros)", disse.

Em compensação, as unidades internacionais tiveram um desempenho positivo. "A diversificação geográfica de portfólio na internacionalização da JBS é um diferencial competitivo da empresa", explicou.

Sobre 2017, Batista observou que não há perspectiva de fechamento ou reabertura de unidades no Brasil. Apenas na primeira semana de fevereiro, a empresa encerrou as atividades de quatro unidades de carne bovina, em São Paulo, Goiás e no Rio de Janeiro, por fim de contratos de locação e também por decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em julho do ano passado, a companhia anunciou o fim das atividades do frigorífico de Presidente Epitácio. "Fizemos adequações no ano passado tanto na parte de bovinos como na Seara, onde fizemos alguns ajustes do parque fabril. Agora, não prevemos para este ano nenhum ajuste", disse. Ele afirmou, ainda, que acredita que o pior do cenário macroeconômico do País passou.

"Estamos relativamente otimistas", disse. Para ele, a recuperação econômica do País vai se dar gradativamente e será um pouco demorada. Especificamente no negócio da JBS, ele aposta na queda dos custos dos grãos "com o preço do milho cedendo trimestre a trimestre". 

O executivo salientou que a relação entre a JBS e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está "super normal". "O BNDES exerceu um direito que tinha no acordo de acionistas", reafirmou sobre o veto do banco à proposta feita em maio do ano passado pela empresa de reorganização societária.

A decisão do BNDESPar, que detém 20,36% de fatia da companhia, a maior processadora de carnes do mundo, sinalizou uma mudança de postura do atual governo de desconstruir a política de empresas "campeãs nacionais", marca da gestão petista. "O banco está agindo como o acionista relevante que ele é e um acionista construtivo, buscando sempre olhar formas de geração de valor", concluiu.

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