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Investimento ativo ou passivo. O que é melhor

A situação atual e a preocupação com a inflação, entre outros fatores, têm levado pesos-pesados do mercado a adotar a gestão passiva, como a BlackRock

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2021 | 04h30

Esse é um debate antigo e que volta para a ribalta neste momento de crise. Se perguntarmos para as pessoas se elas são boas o suficiente para bater o mercado, provavelmente poucas responderão que sim. Mas e se essa pergunta fosse feita ao seu gestor de fundos ativos? Numa indústria de mais de US$ 60 trilhões, provavelmente a resposta seria sim. No entanto, pesquisa da Trusnet de maio passado indica que a maioria dos fundos de ações que praticam investimento ativo está sendo superada pelos de gestão passiva em 2021. Diferentemente de 2020, quando os fundos ativos perfomaram melhor.

A situação atual e a preocupação com a inflação, entre outros fatores, têm levado pesos-pesados do mercado a adotar a gestão passiva, como a BlackRock – abordagem endossada também por W. Buffett. Uma expressão atribuída a ele, diz que “a coisa mais inteligente que seu dinheiro pode fazer é deitar na rede e tirar o resto do dia de folga”.

Investimentos ativos ou passivos, de maneira ampla, são duas abordagens distintas de aplicar os recursos. Investimento ativo ocorre quando o gestor seleciona ativos com base nas suas avaliações individuais, buscando ações subavaliadas para compra ou vendendo ativos que julga sobrevalorizados, sempre escolhendo o que é mais atraente. A procura é investir de forma a bater o mercado ou um benchmark estabelecido, por exemplo o Ibovespa, que é o índice da Bolsa brasileira. Pode parecer algo mais atraente, porque somos propensos a acreditar que as coisas ativas são mais dinâmicas, fortes e com melhores resultados. Mas essa abordagem de investimento demanda muito trabalho e conhecimento de mercado.

Por seu lado, investimento passivo é a abordagem de compra e retenção de ativos de longo prazo. Por exemplo, comprando ações que repliquem determinado índice de mercado ou aplicando em um fundo de índice. O objetivo desse investidor é obter o mesmo retorno que determinado índice alcançar, em vez de buscar superá-lo.

As duas abordagens de investimento têm aspectos positivos e negativos, mas a maioria das pessoas estará mais bem servida aplicando os seus recursos no investimento passivo. Algo que é evidente, o investimento ativo é mais caro, exige a participação de analistas e gestores. Além disso, gasta-se mais pelas negociações mais frequentes. Muitas vezes esses custos mais altos destroem os ganhos adicionais obtidos pelas aplicações que têm retorno acima do benchmark.

Pelo outro lado, um agente ou investidor individual altamente qualificado pode ganhar muito dinheiro praticando o investimento ativo. Mas, isso é para poucos, a despeito de muita gente anunciar que consegue ganhar sempre do mercado. Um exemplo são os “day traders” que estão entre os perdedores mais consistentes. O investimento passivo pode ser mais indicado para a maioria dos investidores. Além de apresentar custos mais baixos, tem um bom desempenho, especialmente no longo do tempo. 

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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