Investimento continuará atrativo no Brasil, diz Mantega

Ministro confirma que IPI para veículos automotores volta a subir, gradativamente, a partir de outubro

Maíra Teixeira, da Central de Notícias,

15 de setembro de 2009 | 23h58

O ministro da Fazendo, Guido Mantega, reafirmou em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News, na noite desta terça-feira, 15, que as medidas de estímulo estrutural à economia que o governo federal vem fazendo, e os atrativos do país como bom investimento no mercado internacional, vão continuar.

 

O ministro ressaltou que o investimento nos últimos quatro anos vinha crescendo em média 20% até o ano passado, mas com a crise houve a paralisação do consumo. "Assim, criou-se uma capacidade ociosa e num primeiro momento o que se faz é absorver essa capacidade ociosa. Então, todo mundo para de investir. Até você recuperar a utilização da capacidade gerada, você tem uma retração do investimento." Ele acredita que esse investimento deva voltar até o fim deste ano. "Os setores que produzem para o mercado interno (estarão) mais aquecidos, aí eles vão começar a investir. O setor automobilístico, as empresas já anunciaram investimentos. A GM já anunciou investimentos. O mesmo deve se dar em outros setores voltados para o consumidor interno."

 

"O investimento continuará atrativo no Brasil. Para o setor de consumo, como já há uma recuperação, não é necessário que eles (estímulos) continuem." Mantega afirmou que a redução de IPI para bens de capital vai permanecer. "Não vamos recolocar, e estímulos que existem hoje para investimentos também vão permanecer todos."

 

Mantega afirmou ainda que a principal medida de estímulo do consumo interno, a redução de IPI vai acabar mesmo no fim do ano. "Neste mês, elas começam a ser reduzidas. É uma escadinha, o tributo volta a partir de outubro, novembro e dezembro. Na Linha Branca, (a isenção) vai até 15 de outubro. No caso material de construção, vai até o final do ano. A tabela do Importo de Renda deve ficar como está, para a pessoa física."

 

O que foi muito eficaz nessa crise no Brasil, disse, é que não foi apenas colocado mais crédito em circulação, pois somente essa medida não seria suficiente. "Nós colocamos os bancos públicos para o crédito chegar na mão dos consumidores e dos investidores. Fizemos um conjunto de medidas estimulando e reduzimos os tributos, estimulando a economia de diversas maneiras." Ele lembrou a criação do programa Minha Casa, Minha Vida, um estímulo para o setor de construção que, dessa maneira, está retomando o crescimento.

 

"Eu acredito que no próximo ano a economia já vai estar crescendo e arrecadaremos mais. Portanto, estaremos arrecadando mais do que estamos arrecadando hoje. E, de novo, teremos um espaço fiscal para isso."

 

Quando questionado sobre a 'nova CPMF', Mantega passou a bola para o Congresso Nacional. "O tributo para a contribuição de saúde é uma iniciativa do congresso. Não é uma iniciativa do governo. Temos de discutir com o Congresso para ver a pertinência desse assunto."

 

Em relação ao imposto de renda sobre as poupanças de alto valor, ele ressaltou que a medida já tinha sido anunciada. "É uma necessidade a medida em que a taxa de juros vai caindo no país e você não está reduzindo a rentabilidade da poupança. Existe um risco de você ter uma migração forte dos fundos de renda fixa para inundar a poupança. Isso não é desejado." Assim, para "permitir que a taxa Selic continue caindo" nos próximos anos, o governo afirma que terá de manter uma distância entre as aplicações. "Noventa e nove por cento da poupanças têm menos de R$ 50 mil de aplicação. Elas estão resguardadas.Acima de R$ 50 mil incidirá um imposto de renda."

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