Investimento corre para emergentes

Mercados maduros, alguns em crise, já não têm as perspectivas de crescimento almejadas pelas empresas

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2008 | 00h00

As montadoras de veículos instaladas no País vêm na crise nos Estados Unidos uma janela de oportunidades para o mercado local. A crise global tende a reduzir a indústria automotiva em mercados "maduros", como o americano e o europeu, enquanto os emergentes devem ganhar participação maior na taxa de crescimento do setor."Quando se olha a divisão do bolo automotivo, há uma tendência de se colocar mais investimentos em áreas de maior crescimento", ressalta Rogelio Golfarb, diretor de Assuntos Corporativos da Ford América do Sul. Golfarb lembra que os investimentos estavam indo para a China, mas agora a matrizes das montadoras buscam alternativas, como Brasil, México e Índia. "É a nova dinâmica do mercado", diz Golfarb.O setor teve sucessivos recordes de vendas no Brasil e há filas de espera de até três meses para alguns automóveis e de nove meses para caminhões. Não por acaso, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já informou que as montadoras vão investir US$ 4,9 bilhões no País este ano, 133% mais que em 2007 (R$ 2,1 bilhões).Esse montante é o mais alto já gasto pelo setor em um único ano. A capacidade de produção deverá ser elevada dos atuais 3,5 milhões de veículos para 4 milhões em 2009. A Ford ainda não anunciou quanto pretende investir no País.O quadro não é diferente em outros setores. Na Construção Civil, a Rossi, uma das maiores incorporadoras e construtoras do País, planeja lançar R$ 2,5 bilhões em imóveis comerciais e residenciais este ano, 26% mais que no ano passado (R$ 1,98 bilhão). "Estamos indo cada vez mais para o segmento econômico, onde está a maior parte do déficit habitacional do País", diz Rafael Rossi, diretor de Marketing Institucional da Rossi.Com juros mais baixos e prazo maior para pagamento, as prestações passaram a caber no bolso de um número maior de famílias brasileiras."É impressionante, a gente lança imóveis nesse segmento e vende como água."A Lupo, fabricante de meias, cuecas e lingeries, nunca vendeu tanto num primeiro bimestre como no deste ano. "Superamos janeiro e fevereiro de 2007 em mais de 40%, mas só conseguimos entregar 20% acima porque não estávamos preparados", diz Valquírio Ferreira Cabral, diretor comercial.Em 2007, a Lupo investiu R$ 28 milhões na importação de 143 máquinas italianas, que chegaram em janeiro. A capacidade de produção teve aumento de 20% e foram contratados mais 150 funcionários.

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