Investimento cresceu em dezembro, aponta Ipea

Resultado foi de alta de 3,9% em relação a novembro, depois de cinco quedas seguidas; mesmo assim, no quarto trimestre, houve recuo de 3,7%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2017 | 22h06

RIO - O País registrou reação dos investimentos na economia na reta final de 2016, segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) teve crescimento de 3,9% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal.

O bom desempenho é consequência do avanço de 8,8% no consumo aparente de máquinas e equipamentos, soma da produção industrial doméstica e das importações, menos as exportações. A construção civil teve redução de 0,6% no período.

O Indicador Ipea de FBCF tem mostrado uma trajetória irregular dos investimentos, sinalizando que a recuperação da economia será gradual, ponderou o técnico de planejamento e pesquisa Leonardo Carvalho, do Grupo de Conjuntura do Ipea. “Nos últimos meses notamos certa volatilidade no indicador, mais especificamente no consumo aparente de máquinas e equipamentos. Não conseguimos ver ainda o início de uma recuperação mais efetiva. Nossa expectativa é que seja mais gradual.”

O resultado positivo de dezembro interrompeu uma sequência de cinco recuos consecutivos, mas não evitou que os investimentos encerrassem o quarto trimestre com queda de 3,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

“Há uma série de fatores que estão segurando um pouco essa retomada. A principal é a demanda interna. Enquanto o mercado de trabalho mostrar redução na ocupação e renda estagnada ou com perda real, não dá para falar em recuperação do investimento. Nossa economia ainda é muito dependente da demanda interna”, disse Carvalho.

Na comparação com dezembro de 2015, o Indicador Ipea de FBCF cresceu 1,7% em dezembro passado. Mas, em relação ao quarto trimestre de 2015, os investimentos tiveram redução de 8,3% no quarto trimestre do ano passado.

Em 2016, o indicador despencou 10,8%, ante queda de 13,9% em 2015. Mas Carvalho vê perspectivas favoráveis para os próximos meses, como a expectativa de corte maior na taxa básica de juros e estoques em níveis mais comportados, que permitem retomada da produção quando houver reação da demanda. No entanto, a capacidade ociosa da indústria ainda deve impedir um resultado positivo dos investimentos em 2017. “O tamanho e a intensidade da recessão acabaram gerando ociosidade muito grande do parque industrial brasileiro.”

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