Investimento da indústria deve crescer 23%, aponta CNI

Projeção é de um investimento médio de R$ 3,526 milhões em 2009 e de R$ 4,353 milhões em 2010

Sandra Manfrini, da Agência Estado, Agencia Estado

17 de dezembro de 2009 | 13h06

O valor médio dos investimentos da indústria de transformação deverá crescer em torno de 23% em 2010. A estimativa consta de pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre os investimentos na indústria. A projeção é de um investimento médio de R$ 3,526 milhões em 2009 e de R$ 4,353 milhões em 2010.

No ano que vem, segundo a CNI, as empresas vão procurar aumentar a participação dos bancos de desenvolvimento no financiamento do investimento, reduzindo o uso de recursos próprios. Apesar disso, o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento da CNI, Renato da Fonseca, destaca que os investimentos ainda dependerão muito dos recursos da própria empresa. A participação dos bancos comerciais privados e públicos nestes financiamentos ainda é muito pequena.

A pesquisa apontou ainda que, dos investimentos realizados em 2009, 62,7% foram com recursos próprios, 20,5% com recursos de bancos oficiais de desenvolvimento, 9% com financiamento de bancos comerciais privados, 5,7% de bancos comerciais públicos e 1,3% veio do exterior. Para 2010, os empresários esperam investir com 55% de recursos próprios, 26,5% de recursos de bancos oficiais de desenvolvimento, 8,3% de bancos comerciais privados, 6,5% de bancos comerciais públicos e 2% por meio de financiamento externo, entre outras fontes.

Cenário positivo

O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, avaliou que o cenário é bastante positivo para a indústria em 2010. "O investimento foi a variável mais afetada pela crise financeira internacional em 2009, e os dados da pesquisa mostram a frustração dos investimentos da indústria. Para 2010, no entanto, eles são positivos, e as empresas apontam para a intenção de investir", disse.

Segundo a CNI, em 2009, 46,3% das empresas realizaram os investimentos planejados e 49,8% realizaram parcialmente os investimentos previstos. Os 3,9% restantes adiaram os investimentos para o próximo ano ou por tempo indeterminado.

O porcentual dos que adiaram os investimentos é pequeno, se comparado com outros anos. Em 2008, por exemplo, esse porcentual foi de 11%. Apesar disso, Renato da Fonseca chamou a atenção para o fato de que o volume de investimentos programados para 2009 era bem menor que em outros anos, o que justificaria o baixo porcentual das empresas que adiaram os investimentos. "Foi um ano atípico", disse.

Para 2010, 61,8% das empresas disseram que vão aumentar os investimentos, sendo que para 52,9% os investimentos vão crescer e para 8,9% eles vão crescer muito. A pesquisa da CNI também apurou que, para a maioria das empresas, a indústria tem capacidade suficiente para atender a demanda prevista para 2010. Apenas 15,8% acreditam que a capacidade instalada não é adequada para atender a demanda prevista. Para 71,6% das empresas, a capacidade atual é adequada, enquanto 12,6% disseram ter capacidade mais que adequada.

Mercado interno

A valorização do real ante o dólar, além da queda da demanda mundial em razão da crise, vai levar o setor industrial brasileiro a centralizar os investimentos em 2010 no mercado interno. De acordo com a pesquisa da CNI, apenas 5,2% das empresas afirmaram que seus investimentos têm como objetivo principal atender ao mercado externo. Outros 74,1% disseram que seus investimentos serão voltados principalmente para o mercado interno.

Para Castelo Branco, os dados apontam para uma perda do foco no mercado externo, o que reflete, em parte, o aquecimento no Brasil. Por outro lado, o indicador pode ser um sinal de alerta. "Ao deixar de atuar no mercado externo, está se favorecendo a entrada de concorrentes. Isso pode levar a perdas irreversíveis", disse Castelo Branco.

A pesquisa, divulgada hoje, ouviu um total de 350 empresas industriais, em todo o País, no período de 20 de novembro a 4 de dezembro. Essa foi a primeira vez que a CNI divulgou esse tipo de levantamento, que passará a ser anual.

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