Investimento da Vale em 2012 será inferior ao previsto para este ano

Sem conseguir cumprir o orçamento de US$ 24 bilhões previsto para este ano, a Vale se prepara para anunciar na próxima segunda-feira um investimento para 2012 mais em linha com o atual cenário de incertezas na economia mundial e de dificuldades na obtenção de licenças ambientais no País.

MÔNICA CIARELLI / RIO, FERNANDA GUIMARÃES, SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h06

De acordo com uma fonte do setor, a expectativa é que a cifra para 2012 fique próxima do investimento realizado pela companhia este ano, que deve fechar, no máximo, em US$ 19 bilhões. Até setembro, a companhia havia desembolsado US$ 11,308 bilhões, menos da metade da meta inicial.

O orçamento mais modesto será apresentado aos investidores nos Estados Unidos, durante o evento Vale Day, na Bolsa de Valores de Nova York. Em outubro, quando comentou o desempenho da companhia no terceiro trimestre, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, anunciou mudanças no modelo de divulgação do orçamento da companhia. Na época, o executivo também descartou a possibilidade de a Vale desembolsar integralmente os US$ 24 bilhões previstos para este ano.

Pelo novo modelo, a empresa informará ao mercado apenas os projetos já aprovados, com os devidos licenciamentos ambientais obtidos. Essa medida, segundo a empresa, evitará o não cumprimento do orçamento divulgado, exatamente como aconteceu em 2011.

Para agilizar a obtenção de licenças ambientais, processo que vem atrasando os projetos do grupo, a Vale criou um comitê executivo para tratar do assunto. O grupo vai se reunir semanalmente e já elaborou um guia de procedimentos para obtenção dessas licenças.

Análise de risco. A mineradora pretende também fazer uma análise de risco em 20 projetos já anunciados considerados mais críticos para a companhia. O objetivo de passar uma lupa por esses projetos é diminuir as incertezas em torno de prazos ou custos que influenciem no cronograma e orçamento.

A análise deve incluir até mesmo uma comparação com os custos de produção de outras concorrentes. Entre os projetos que serão analisados estão projetos como o de Serra Sul, em Carajás, no Pará, Apolo, em Minas Gerais, e também na Indonésia.

O analista da corretora SLW, Pedro Galdi, destaca que os segmentos de minério de ferro, carvão e cobre deverão ser o foco da Vale, além do setor de fertilizantes, que ganhou destaque nos negócios da mineradora e passou a ter um enfoque estratégico para a empresa. "Pelo histórico da Vale, independente de crise, eles anunciam investimentos agressivos. Os números não devem ser tão diferentes", disse Galdi.

Já a expectativa de investimentos para o setor de siderurgia, por outro lado, deverá "continuar de lado", afirmou o analista. "Sem um sócio estratégico não tem nenhum sentido um investimento forte", disse.

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