Investimento de fundos em empresas brasileiras tem menor nível desde 2009

Fundos de private equity, que compram participação em companhias, investiram no ano passado 40% menos no Brasil que em 2012

Altamiro Silva Júnior, Correspondente - O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2014 | 02h09

NOVA YORK - Os fundos de private equity, que compram participação em empresas, reduziram em 2013 os investimentos no Brasil para o menor nível desde 2009, ano marcado pelos impactos da crise financeira mundial. O capital aplicado em companhias brasileiras ficou em US$ 2,8 bilhões no ano passado, queda de 40% em relação a 2012.

As informações foram encaminhadas ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, pela Emerging Markets Private Equity Association (Empea), uma associação com sede em Washington que reúne 300 fundos com investimentos em países emergentes.

Os gestores apontam algumas razões para reduzirem as apostas no Brasil. Entre elas, o clima de maior incerteza em meio às mudanças da política monetária nos Estados Unidos, o menor crescimento brasileiro nos dois últimos anos e os preços caros de alguns ativos no País. Para 2014, com eleições gerais, projeções de um Produto Interno Bruto (PIB) novamente fraco e preocupações com a desaceleração da China, a avaliação é de que os fundos de private equity vão redobrar a cautela com o Brasil e outros emergentes.

Perda de terreno. Embora continue sendo o destino preferencial dos fundos na América Latina, o Brasil vem perdendo espaço na região, mostram os dados da Empea. Em 2013, o País respondeu por 65% dos investimentos dos fundos de private equity nos países latinos, contra cerca de 84% em 2012.

Já outros mercados, como Chile e México, têm atraído mais recursos. Este último, por exemplo, respondeu por cerca de 10% dos aportes feitos por esses fundos no ano passado, acima dos 3% de 2012.

Para o economista-chefe do banco mexicano Banorte, Gabriel Casillas, o governo do México tem colocado em prática uma agenda de reformas estruturais em setores como telecomunicações e petróleo, que estão agradando aos investidores internacionais. "O México está crescendo pouco como o Brasil, mas as reformas fazem a diferença", disse ele. No caso brasileiro, além da agenda estagnada de reformas, Casillas vê um clima de maior incerteza política em meio à deterioração de indicadores importantes, como as contas fiscais.

Outro ponto que pesa contra o Brasil é a maior dependência de exportações para a China, cuja economia vem se desacelerando, avalia o economista para mercados emergentes da consultoria Capital Economics, Neil Shearing. Ele também menciona a necessidade de reformas no Brasil. "Elas são essenciais se o país quiser ganhar vigor na atividade econômica." Já o México, ao contrário, é mais dependente dos EUA e as projeções são de que a economia norte-americana cresça mais este ano.

México. Os dados da Empea mostram que o México teve, no ano passado, o maior volume investido pelos private equities dos últimos cinco anos. No Brasil, além dos investimentos terem caído 40%, as captações de recursos destes fundos recuaram 64%, para US$ 1,024 bilhão em 2013.

Uma das explicações para a queda acentuada, segundo um gestor de private equity que prefere não se identificar, é de que os fundos voltados para o Brasil já haviam captado muito em anos anteriores e, por isso, a necessidade de novos recursos é menor. Para 2014, a palavra de ordem dos fundos de private equity que atuam no mercado brasileiro é "cautela". Para reduzir os riscos, as empresas devem investir em setores como infraestrutura e educação.

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