Investimento de fundos que compram participação em empresas cai 18%

Cenário de incerteza, causado por eleições e Copa, fez fundos de private equity e venture capital investirem R$ 13,6 bilhões em 2014, contra R$ 16,7 bilhões no ano anterior

MARIANA SALLOWICZ, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2015 | 02h03

RIO  - Diante de um cenário de incertezas políticas causadas pelas eleições no Brasil, os fundos de private equity e venture capital, que compram participações em empresas para vender no futuro com lucro, reduziram os investimentos em 18,56% no ano passado na comparação com 2013. O quadro, no entanto, deve mudar em 2015, com a retomada do crescimento, prevê Fernando Borges, presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (Abvcap).

"O ano passado tinha um componente muito grande de incerteza, os investidores foram mais cautelosos. Havia três alternativas políticas", disse. "Muita gente preferiu esperar, agora acabou essa incerteza", afirmou ontem durante o Congresso Abvcap 2015, no Rio. O total investido pelos fundos em 2014 foi de R$ 13,6 bilhões.

A associação não divulga o número esperado para 2015. Borges, que também é diretor-presidente do Carlyle Group no Brasil, avalia que o cenário do ponto de vista dos investimentos é diferente neste ano, apesar da piora da situação macroeconômica. Além de não haver as incertezas relativas às eleições, a bolsa de valores, que compete com os fundos, está "muito fraca", na avaliação de Borges. "Os investidores de private equity olham o longo prazo e acreditam que o Brasil é um lugar para se estar daqui dez anos."

Embora estejam mais seletivos, os fundos têm mais capital disponível para investimento. Ao fim de 2014, eram R$ 36,8 bilhões, crescimento de 35% em relação a 2013. No ano passado, grandes fundos, como a Gávea Investimentos, levantaram recursos para investir nos próximos anos. Os setores mais atrativos continuam os mesmos de anos anteriores, na visão do presidente do Carlyle. Entre eles estão varejo, consumo, educação e infraestrutura.

Christopher David Meyn, sócio da Gávea Investimentos, reforçou que, em 2014, os fundos não queriam tomar risco e o empreendedor também tinha incertezas. "Agora o cenário está ficando mais claro e o empreendedor consegue uma visão de curto e médio prazo mais clara. Tem mais negócios acontecendo."

Em relação a 2015, Meyn afirmou que a expectativa para o setor é positiva, uma vez que há fundos com recursos em meio a um cenário de juros altos e bancos conservadores na concessão de crédito. De acordo com ele, o setor captou entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões entre o fim do ano passado e o início de 2015. "O mercado de capitais está praticamente fechado, os juros estão altos, os bancos estão conservadores. Vejo um cenário propício (para os fundos)."

Após obter US$ 1,1 bilhão para seu quinto portfólio de private equity no fim do ano passado, a Gávea Investimentos "está perto de fazer" o primeiro investimento do fundo, no prazo estimado de um mês. O negócio será em serviços financeiros e crédito. De acordo com Meyn, os investimentos ficam normalmente em torno de 5% a 10% do fundo. Na sequência, afirmou que a média costuma ser entre R$ 60 milhões e R$ 150 milhões.

Os demais recursos ainda não têm um destino fechado. "A gente está bem aberto, porém, temos mais tendências a focar em certos setores do que em outros", disse.

Oportunidades. Em relação aos impactos da Operação Lava Jato, o vice-presidente da associação, Clovis Meurer, acredita que há uma "margem para que fundos de private equity possam fazer negócios". Isso porque as grandes construtoras vão perder fôlego para investir em projetos menores, abrindo espaço.

Sobre desinvestimentos que estão sendo feitos por empresas em dificuldades, o sócio da Gávea Investimentos disse que os fundos estão olhando os ativos a serem colocados no mercado porque "tem muita coisa à venda" e há capital disponível. "Temos interesse em olhar, há coisas bem interessantes", disse ponderando que nada foi fechado até o momento.

"As empreiteiras investiram em bastante coisa ao longo dos anos. A Petrobrás vai vender ativos e nem tudo é na área de petróleo. Quase todos os fundos têm a obrigação de olhar porque há a chance de que saiam algumas boas oportunidades". Sobre a BR Distribuidora, afirmou que é uma "excelente oportunidade".

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