Investimento de longo prazo volta à discussão

O investimento de longo prazo, sem o qual uma economia moderna não fica sem horizontes minimamente confiáveis, tem sido o calcanhar de aquiles do desenvolvimento brasileiro, e volta e meia é rediscutido.

O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2014 | 02h10

Desta feita, foi o secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo de Oliveira, quem levantou o tema na abertura da Conferência Cetip Renda Fixa - Experiência Internacional. Comentou, inicialmente, que essa parte do mercado financeiro "não está ainda resolvida" - dando a impressão de que o mercado financeiro é que teria que dar a resposta. "Temos tentado resolver isso com o redirecionamento do crédito", acrescentou.

De certo modo, rebatia críticas a essa política, que o mercado vê como causadora de distorções na economia: "Não concordo que esse instrumento prejudique o sistema econômico", assinalou, frisando que é preciso discutir mais a questão "com mais participação do setor privado".

De qualquer forma ele reconhece que tem discutido com os agentes privados "até que ponto o redirecionamento da poupança tem sido eficaz para elevar o crédito imobiliário de 15% para 18% de participação no PIB".

Dyogo de Oliveira mencionou alguns dados do quarto trimestre de 2012 dizendo que, então, o montante de investimento privado de longo prazo era de R$ 719 bilhões, sendo 56% de recursos próprios dos investidores, ao passo que o mercado financeiro contava com R$ 6,7 trilhões em ativos. Assim, segundo ele, "temos no Brasil recursos para alavancar o financiamento sem sobressaltos". O que falta são instrumentos adequados e com taxas de remuneração atraentes.

É necessário lembrar, todavia, que o governo é quem edita os instrumentos adequados e estipula as taxas de remuneração.

Produtos atraentes para o investimento de longo prazo não surgirão certamente do nada, nem do acaso, por virtude própria, uma vez que dependem de políticas do setor público. Entre estas terá que estar uma política monetária e creditícia estável e confiável; uma política de metas de inflação também confiável; uma política para o mercado de ações realmente séria, uma vez que um instrumento importante para o investimento privado de longo prazo são as ações.

Sem essas condições, o investimento de longo prazo será sempre função do BNDES, com os inconvenientes conhecidos.

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