Investimento de múltis em outros países cai à metade

Unctad e OCDE fazem projeções sombrias para o resto do ano

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

O investimento estrangeiro direto (IED) despencou no mundo nos primeiros três meses de 2009 e as projeções são sombrias para o resto do ano. O alerta foi feito ontem pela Conferência das Nações Unidas (ONU) para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) e também pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que divulgaram que o fluxo de investimentos foi cortado em 54% ante os três primeiros meses de 2008. O número poderá se ampliar se o nacionalismo econômico ganhar força. Para os países em desenvolvimento, a projeção é que tenham neste ano um fluxo 25% abaixo das taxas de 2008. As projeções mostram que Brasil, China, Rússia, Indonésia e África do Sul vão reduzir em 80% os investimentos em outros países. Um dos principais fenômenos dos últimos anos foi o aumento da presença de multinacionais de países emergentes em outros mercados. Em 2008, esses países investiram US$ 120 bilhões no mundo. Em 2009, esse volume deve ficar em US$ 21 bilhões.Em termos de aquisições, o corte foi mais drástico, de 77%, em relação ao primeiro trimestre de 2008. No ano passado, os investimentos totais no mundo chegaram a US$ 1,6 trilhão, 15% menos que o recorde de 2007. A crise, a partir de setembro, já afetou os planos de empresas pelo mundo, mas os países ricos serão os mais afetados. "As projeções ainda são sombrias para o resto do ano. Se a tendência do primeiro trimestre for confirmada, o mundo poderá ter um corte de 50% nos investimentos em 2009", afirma o relatório da Unctad.Segundo a instituição, 43 dos 57 países que forneceram informações de investimentos apresentaram queda, incluindo China, Brasil e Rússia. Alguns dos últimos dados mostram uma recuperação da entrada de recursos no Brasil. Mas essa situação não é vista em outros mercados. Em 2008, a queda teria ocorrido sobretudo nos países industrializados, mas agora a redução é generalizada.AMÉRICA LATINAEntre os países em desenvolvimento, a queda no primeiro trimestre foi profunda. Entre janeiro e março de 2008, esses países receberam US$ 36 bilhões em investimentos. Um ano depois, receberam US$ 12 bilhões. Na América Latina, a tendência foi diferente. A região recebeu US$ 273 milhões no primeiro trimestre de 2008, valor que subiu para US$ 5,7 bilhões no fim do ano. No primeiro trimestre deste ano, o volume foi de apenas US$ 1,2 bilhão. Para os países emergentes, a projeção é que os investimentos deste ano serão reduzidos em um quarto. Para os países da ex-União Soviética, a queda será de 40%.No primeiro trimestre, os investimentos somaram US$ 136 bilhões, ante mais de US$ 294 bilhões em 2008. As aquisições somaram US$ 56 bilhões este ano, ante US$ 246 bilhões em 2008. Segundo a Unctad, dois terços das multinacionais preveem redução nos investimentos este ano.A projeção da OCDE para os países ricos é que o ano termine com redução de 50% nos investimentos - de US$ 1,2 trilhão em 2008 para US$ 500 bilhões neste ano - e 60% nas aquisições. Mas o protecionismo pode afastar ainda mais os investidores, embora a ONU e a OCDE admitam que essas medidas têm sido brandas. "Apesar da crise, a maioria dos países tem resistindo ao protecionistas nos investimentos, disse Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE. NÚMEROSUS$ 1,2 trilhão foi investido nos países ricos no ano passadoUS$ 500 bilhões deverão ser investidos este anoUS$ 5,7 bilhões foram investidos na América Latina no fim de 2008US$ 1,2 bilhão foi investido no início deste ano

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