Jim Young/Reuters
Jim Young/Reuters

Investimento de US$ 500 mil em empresas dos EUA dá direito a green card

Programa EB-5 permite que estrangeiros invistam em empresas americanas, criem emprego e, em troca, recebam o visto de residência do país

Yolanda Fordelone, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 11h35

Meio milhão de dólares é o que separa investidores estrangeiros do mundo todo do disputado “green card”, visto de residência dos EUA. Este é o valor atual do programa de imigração EB-5, que, em troca de um investimento de US$ 500 mil no país e a criação de pelo menos 10 empregos nos EUA, dá ao investidor um visto de residência permanente.

No ano passado, foram concedidos 9.228 vistos por meio do EB-5, dos quais 90% foram destinados a chineses. Brasileiros levaram apenas seis vistos. “É um número pequeno, mas justamente por isso acreditamos no potencial da região”, diz Ilka Komatsu, gerente da LCR no Brasil, empresa autorizada pelo governo americano a intermediar o negócio.

Conhecimento é uma das barreiras para o desenvolvimento do programa no Brasil. Apesar de ter sido criado em 1990, poucos brasileiros sabem da existência dele. Pensando nisso, a LCR abriu um escritório no País no ano passado. Por enquanto, é a única com filial por aqui. Outras empresas são autorizadas pelo governo dos EUA a intermediar a aplicação, mas poucas possuem informações em português. “Muitos chegam até nós com muitas dúvidas. Não investem logo de início. Primeiro colhem informações para ganhar confiança e entender como funciona.” 

O alto valor do investimento também é um obstáculo, que pode se tornar ainda maior no segundo semestre. “O programa é renovado periodicamente pelo governo dos EUA. Na última vez, em 2012, o presidente Barack Obama o revalidou por mais três anos e como o valor não é reajustado desde a criação do programa a expectativa é que a exigência suba dos atuais US$ 500 mil”, diz Ilka.

O valor pode subir em 50%, para US$ 750 mil, segundo a LCR. Ainda que alto, o montante é menor do que o de programas de imigração de outros países desenvolvidos como Inglaterra (2 milhões de libras) e Portugal (no Visto Gold são exigidos 500 mil euros em investimentos em imóveis). Por isso, interessados devem tentar entrar no processo antes do reajuste do EB-5.

Como funciona. O EB-5 permite que o investidor entre no processo de obtenção de visto americano sozinho ou via uma das empresas autorizadas pelo governo americano. Em ambos os casos, o investimento precisa gerar no mínimo 10 empregos nos EUA.

Se for realizar o processo sozinho, o valor do investimento sobe para US$ 1 milhão. Neste caso, o interessado deverá abrir uma empresa que garanta essa quantidade mínima de empregos.

Via assessoramento, o valor cai para US$ 500 mil e o destino do dinheiro é definido pela empresa intermediadora, que mira alguns projetos em regiões específicas dos EUA. O serviço de assessoria custa mais US$ 45 mil na LCR.

A expectativa da empresa é captar US$ 12 milhões com o projeto atual e abrir 18 lojas da franquia Dunkin Donnuts na região metropolitana de Nova York. A empresa quer gerar, em média, 19 empregos por investidor. “É importante ressaltar que o investidor não será o dono da loja. O dinheiro será usado para financiar empreendedores locais nessas lojas”, explica Ilka. O interessado brasileiro acompanhará o desemprenho do negócio por meio de relatórios mensais e de auditoria independente.

Em cerca de um ano é obtido o green card provisório e o investidor já pode fixar residência nos EUA juntamente com esposa e filhos menores de 21 anos. Após dois anos sai o green card definitivo. Depois disso, a única forma de perder a autorização é ser condenado por um crime grave ou abandonar os EUA como residência permanente.

Ao final do processo, em geral após cinco anos, o interessado pode ter o retorno da quantia inicial empregada no programa, se o negócio no qual aplicou realmente der certo. A LCR lembra, porém, que o retorno dependerá do desempenho do negócio e que, por isso mesmo, o EB-5 tem como principal objetivo o recebimento do green card. “Não deve ser visto como uma maneira de rentabilizar o dinheiro”, diz Ilka.

Serviço. Periodicamente a LCR e outras empresas de assessoria fazem palestras no Brasil para explicar o EB-5. Para tirar dúvidas, o interessado deve acessar o site das companhias e ver a programação de apresentações.

Site da LCR no Brasil: http://www.visto-de-investidor-eb-5.com.br/

Site oficial do programa: www.uscis.gov/eb-5

Tudo o que sabemos sobre:
green cardEB-5investimentovistoEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.