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Investimento deve recuar 7,9%, diz FGV

Se número for confirmado, será a maior queda registrada no Brasil desde 1999

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2014 | 02h05

A economia brasileira poderá encerrar o ano com a maior queda nos investimentos desde 1999. Na esteira da retração no segundo trimestre de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), economistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) decidiram revisar de 0,6% para 0,2%, a projeção de crescimento para este ano. Previsão que incluiu um tombo de 7,9% nos investimentos.

Caso o cenário se confirme, a queda na formação bruta de capital fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) vai superar até a retração de 6,7% registrada em 2009, ano em que o País experimentou os maiores efeitos da crise global deflagrada em setembro de 2008.

Em 1999, a queda nos investimentos foi de 8,2%. Naquele ano, o governo fez a maxidesvalorização no câmbio e adotou as metas de inflação. O avanço do PIB foi de apenas 0,3%.

"Em 2009, o recuo teve origem externa, favorecendo o impacto das medidas do governo. A contração foi muito forte e intensa, mas já a partir do segundo semestre de 2009 havia expectativa de volta", compara Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Ibre/FGV, ao comentar os dados da Sondagem de Investimentos, divulgada ontem.

Um movimento rápido de recuperação passa agora longe do radar da sondagem. O porcentual de empresas industriais que ampliaram seus investimentos em capital fixo nos 12 meses até o terceiro trimestre de 2014 ficou em 29%, enquanto a parcela das que informaram ter reduzido esse tipo de gasto ficou em 30%. É a primeira vez, na série iniciada no terceiro trimestre de 2012, em que a parcela de quem investe menos fica acima da de quem aporta mais.

"O tombo já aconteceu. Os investimentos estão parados", diz Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, entidade que representa fabricantes de máquinas e equipamentos.

A queda de 7,9% na FBCF levaria a taxa de investimento da economia para 17% do PIB, mesmo patamar de 2007, segundo Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro Ibre.

Segundo economistas de diversas tendências, um conjunto de fatores explica a estagnação deste ano: o encarecimento da energia elétrica; a redução de dias úteis, por causa da Copa do Mundo; a elevação dos juros, que segura o crédito; a moderação no crescimento da renda; a menor capacidade de endividamento das famílias; as dificuldades da Petrobrás, cujos investimentos puxam a cadeia; a crise na Argentina; e a perda de competitividade da indústria.

Estrutural. Para Pastoriza, a lenta e contínua perda de competitividade da indústria, há anos com custos elevados e câmbio desfavorável, é o principal problema estrutural. "Assim como a indústria de máquinas não é competitiva, nossos clientes estão encontrando dificuldade para vender", afirmou.

Tudo isso desestimula os investimentos, mas um fator agrava ainda mais o cenário: a incerteza, que leva a falta de confiança na economia. "Neste ano, a eleição é um fator adicional de incerteza", afirmou Campelo.

Para o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP, a falta de confiança é "muito importante", mas não explica tudo. O professor vê certo exagero no pessimismo e projeta queda de 5% nos investimentos. "A incerteza já está na conta e, de certa forma, é uma incerteza previsível", diz.

Há alguma previsibilidade, segundo Lacerda, porque tudo indica que não haverá aventuras na política econômica e ajustes terão de ser feitos. "Os discursos dos candidatos são conservadores", diz, citando até sinalizações por parte do governo de mudanças na equipe econômica, em caso de reeleição.

Já Silvia Matos vê pouca chance de melhora para 2015, pois os ajustes impedirão gastos por parte do governo.

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