Investimento deve transformar a região

Prefeitos e empresários acreditam que exploração das riquezas minerais pode atrair investidores e reduzir a pobreza

Eduardo Kattah / BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

Prevista para ocorrer nos próximos dois meses, a perfuração de um poço de 3 mil metros de profundidade na cidade de Morada Nova de Minas, no Alto São Francisco, será o primeiro passo para a confirmação da viabilidade econômica da exploração de gás natural em terras mineiras.

O poço será perfurado pelo consórcio formado pela Companhia de Desenvolvimento Econômico do Estado (Codemig), pela Delp Engenharia e pela Orteng. Estudos já apontaram que a bacia sedimentar se assemelha à da Sibéria, mas os dados não são suficientes para garantir que a exploração será economicamente viável.

Como nas lendas do sertão mineiro, em localidades banhadas pelo Velho Chico na região de Pirapora é comum relatos do gás natural que "brota da terra", emana de poços artesianos ou surge em bolhas nas águas calmas do Rio Paracatu, afluente do São Francisco.

"As pesquisas até agora foram muito positivas", disse o presidente da Orteng e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga Andrade. A empresa participa também de outros quatro consórcios, dos quais fazem parte a Companhia Energética de Minas (Cemig).

"Que a região tem gás, tem, é notório. O que não se sabe é se a reserva que existe é economicamente viável para ser explorada", afirmou Andrade, que, em breve, assumirá a presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"Se isso se confirmar, é claro que levará um desenvolvimento importante para a região, pelo aumento das receitas dos impostos, mas principalmente pela possibilidade de uma série de investimentos que têm no gás uma matéria-prima, um componente importante no seu processo de produção", completou.

Ainda no fim dos anos 1970, a Petrobrás realizou pesquisas preliminares na região. A estatal chegou a perfurar quatro poços exploratórios na década seguinte, que não resultaram em descobertas.

Royalties. O primeiro indício de que a riqueza poderá gerar desenvolvimento e royalties para os municípios ocorreu somente em 2005, quando grandes empresas nacionais e estrangeiras arremataram 39 das 43 áreas para exploração oferecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na 10ª rodada de licitações da ANP, em dezembro de 2008, nove dos doze blocos ofertados foram contratados.

"A expectativa é muito grande com o gás e o minério de ferro. É a possibilidade de o norte de Minas se emancipar", acredita o presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amans) e prefeito da minúscula cidade de Patis, Valmir Morais (PTB).

"Queremos que o aproveitamento do minério seja feito pelas mineradoras, preferencialmente na própria região", disse o subsecretário de Desenvolvimento Minerometalúrgico e Política Energética do Estado de Minas Gerais, Paulo Sérgio Ribeiro. "É importante contribuir para a geração de empregos, a diversificação da economia e o desenvolvimento sustentável da região", reforçou.

A DIVISÃO DO GÁS NATURAL

O Brasil produziu 60,44 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia em 2009. O Rio de Janeiro é o maior produtor, com 28,76 milhões de m³. Em segundo está o Amazonas, com 10,36 m³. A Bahia, que faz fronteira com o norte de MG, vem em terceiro, com 8,37 m³.

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