Investimento direto estrangeiro cai em março

Os investimentos diretos estrangeiros foram de US$ 284 milhões em março último, segundo informou hoje o Departamento Econômico do Banco Central (Depec). O valor é inferior aos US$ 788 milhões de fevereiro último e também está abaixo dos US$ 2,363 bilhões de março do ano passado. No acumulado do primeiro trimestre do ano, os investimentos diretos estrangeiros estão acumulados em US$ 1,977 bilhão. Em igual período do ano passado, os investimentos diretos estavam em US$ 4,695 bilhões. Os investimentos diretos acumulados em 12 meses até março último foram de US$ 13, 849 bilhões. Esse valor é inferior aos US$ 15,928 bilhões de 12 meses até fevereiro último e também está abaixo dos US$ 22,414 bilhões de 12 meses até março do ano passado. O valor, entretanto, foi mais do que suficiente para cobrir o déficit em conta corrente acumulado em 12 meses até março de US$ 4,347 bilhões. Investimento direto em abril O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, informou que o ingresso de investimentos estrangeiros diretos este mês já soma US$ 640 milhões. Para Lopes, o mês de abril deverá fechar com ingresso total de US$ 800 milhões. Segundo ele, o baixo ingresso de investimentos estrangeiros diretos em março (US$ 284 milhões) foi influenciado por duas operações de retorno de investimentos, totalizando US$ 500 milhões. "Se não fossem essas operações, poderíamos ter ficado dentro do estimado no mês passado, que era um ingresso de US$ 800 milhões."Na avaliação de Lopes, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos tem vindo um pouco abaixo do estimado pelo BC, mas isso é um movimento que tem ocorrido com todos os países emergentes. Apesar dessa frustração de expectativa, Lopes disse que o volume de ingressos do mês de março é "um ponto fora da curva de investimentos". Por enquanto, o BC mantém sua estimativa de ingresso de investimentos diretos estrangeiros para o ano em US$ 13 bilhões. Pior mês desde 1995 O volume de investimentos estrangeiros diretos (IED) que ingressou no País em março foi o pior já registrado pelo Banco Central desde março de 1995. O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, enfatizou que, apesar da queda brusca no mês passado, o fluxo de investimentos continua. "Os investimentos não deixaram de fluir. Não tivemos um aumento expressivo, como acreditávamos em decorrência da guerra no Iraque, mas também não houve retrocesso tão significativo", disse Lopes, lembrando que o valor registrado no mês passado é um "ponto fora da curva".Segundo Lopes, o ingresso mensal de investimentos estrangeiros diretos continua numa média de US$ 1 bilhão. "É baixo em relação ao que esperávamos, mas continua a fluir", disse. O chefe do Depec ressaltou ainda que apesar do fluxo mais baixo, esses investimentos continuam sendo suficientes para financiar as transações correntes brasileiras. Apesar desses aspecto negativo das contas externas, o resultado das transações correntes foi superavitário em março em US$ 116 milhões. "É o melhor superávit para meses de março desde 1989", disse Lopes. Olhando o trimestre, que teve um superávit de US$ 82 milhões, o resultado apurado é o melhor para primeiros trimestres desde 1994. "A tendência é que o ajuste (das contas externas) permaneça", salientou o chefe do Depec. Setor de serviços lidera O setor de serviços foi o líder na captação de investimentos estrangeiros diretos no País no primeiro trimestre do ano. Do volume total de investimentos em participações ingressados nos três primeiros meses do ano, 56,8% foram para empresas do setor. As companhias de eletricidade, gás e água absorveram US$ 324 milhões em investimentos estrangeiros no primeiro trimestre. A indústria ficou com 36,6% dos investimentos externos enquanto que os 6,6% restantes foram para o setor agropecuário. A área de metalurgia básica (excluída as indústrias siderúrgicas) foi o segmento industrial que recebeu o maior volume de investimentos no trimestre, um total de US$ 196 bilhões. Do volume total de investimentos estrangeiros ingressados no País no primeiro trimestre destinados a participações em empresas, 40,3% foram operações de valor inferior ou igual a US$ 10 milhões. O crescimento dessas operações de menor valor foi significativo. Do volume total de investimentos feitos em empresas brasileiras em 2002, com investimentos estrangeiros diretos, as operações de valores inferiores ou iguais a US$ 10 milhões responderam por 26% do total. Conta corrente em abril Altamir Lopes estima que as transações correntes brasileiras tenham um déficit de cerca de US$ 500 milhões em abril. Para Lopes, o registro de um déficit na conta corrente este mês é "natural", já que tradicionalmente nos meses de abril e outubro há uma grande concentração de pagamentos de juros da dívida externa. "Temos sempre esta sazonalidade, mas o valor estimado é absolutamente baixo." A projeção do BC para o déficit em transações correntes no ano é de US$ 4,6 bilhões. Dívida externa A dívida externa brasileira fechou o mês de janeiro em US$ 211,647 bilhões, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Departamento Econômico (Depec) do Banco Central. Em relação a dezembro do ano passado, a dívida externa brasileira registrou um crescimento de apenas 0,4%. Os endividamentos de médio e longo prazo somam US$ 187,316 bilhões, sendo o restante dívidas de curto prazo. O setor público não-financeiro é responsável por 52,4% do endividamento externo do País, enquanto que o setor privado e o público financeiro respondem pelos 47,6% restantes do endividamento. Entre dezembro de 2002 e janeiro de 2003 as dívidas de curto prazo passaram de US$ 23,395 bilhões para US$ 24,332 bilhões, aumento esse puxado pela recuperação das linhas de créditos interbancárias e do aumento de outras obrigações de curto prazo registradas no BC, segundo informações dos técnicos do Depec.

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