André Dusek/Estadão
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Investimento direto no País é o menor em 8 anos

Brasil recebeu de outros países R$ 29,9 bilhões no primeiro semestre; número menor de leilões ajuda a explicar queda

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2018 | 04h00

O Brasil recebeu US$ 29,9 bilhões em investimento produtivo de outros países no primeiro semestre de 2018. A cifra, divulgada nesta quinta-feira, 26, pelo Banco Central, é a menor para um primeiro semestre desde 2010, quando US$ 27 bilhões entraram no País de janeiro a junho.

Os dados do BC mostraram que, em junho, o Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 6,5 bilhões, maior que o de junho de 2017, de US$ 4 bilhões. No entanto, os US$ 29,9 bilhões de IDP acumulados de janeiro a junho ficaram 17,4% abaixo dos US$ 36,2 bilhões do mesmo período do ano passado.

“O IDP se reduziu no primeiro semestre, mas segue robusto para financiar o déficit em conta corrente”, afirmou o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha. “Essa redução parece bastante ligada à falta de operações individuais de maior vulto. A primeira operação de IDP superior a US$ 1 bilhão ocorreu apenas em junho.”

Rocha explicou que operações de IDP com valores menores geralmente estão ligadas à expansão de empresas estabelecidas no País. Segundo ele, esse fluxo continuou em 2018. As operações de IDP com valores maiores estão ligadas a aquisições de empresas por estrangeiros ou a resultados de leilões de concessão.

No primeiro semestre do ano, houve apenas uma operação de IDP acima de US$ 1 bilhão, no valor de US$ 1,04 bilhão. De janeiro a junho de 2017, foram US$ 7,98 bilhões em operações de IDP de valores maiores. 

Questionado se o IDP teria sido menor em função da cautela dos estrangeiros, que podem estar aguardando a eleição presidencial para promover novos investimentos, Rocha afirmou que “é difícil dar uma resposta conclusiva para isso”. “Não havendo leilões, há uma oportunidade a menos para realizar IDP”, acrescentou. 

Conta corrente

De acordo com o BC, em junho, o País registrou superávit em conta corrente de US$ 435 milhões. O número – que reflete o saldo de transações do Brasil com o exterior nas áreas comercial (exportações menos importações), de serviços e rendas – foi positivo pelo quarto mês consecutivo. 

A balança comercial teve superávit de US$ 5,5 bilhões, abaixo dos US$ 7 bilhões de junho de 2017. “Evidências apontam que, nas duas primeiras semanas de junho, houve impacto da greve dos caminhoneiros”, citou Rocha. Com os caminheiros parados, o País exportou menos.

No primeiro semestre, a conta corrente acumulou déficit de US$ 3,6 bilhões. Apesar disso, os US$ 29,9 bilhões de IDP no primeiro semestre foram mais que suficientes para compensar o déficit em transações correntes.

Turismo

O avanço do dólar ante o real fez os brasileiros segurarem os gastos com viagens ao exterior. Dados do BC mostraram que a conta de viagens teve déficit de US$ 1,1 bilhão em junho. O montante, que reflete a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil, é 2,12% menor que o visto em junho de 2017. Em maio, ele havia ficado em US$ 1,2 bilhão. 

As despesas dos brasileiros em outros países somaram US$ 1,5 bilhão, abaixo dos US$ 1,6 bilhão de maio. No primeiro semestre, as despesas líquidas com viagens somaram US$ 6,3 bilhões, acima dos US$ 5,7 bilhões do ano passado.

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