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Gastos de brasileiros no exterior caem cerca de 50%, diz Banco Central

Dólar mais caro é a principal explicação para o movimento, que tem contribuído de forma significativa para a redução do rombo externo

Victor Martins e Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2016 | 11h01

BRASÍLIA - O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou que o segmento de serviços tem contribuído de forma significativa para a redução do déficit em transações correntes, com destaque para viagens internacionais, que têm mostrado recuo expressivo neste ano. Maciel observou que no trimestre, viagens internacionais mostram recuo de 69% frente a igual período do ano passado. 

Essa queda, segundo ele, se explica principalmente pelo dólar mais forte frente o real. Pelos dados do BC, observou Maciel, os gastos de brasileiros no exterior estão cerca de 40% a 50% menores este ano frente a períodos anteriores.

No mês passado, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil deixou um saldo negativo de US$ 694 milhões. O resultado é menor do que o saldo negativo de US$ 955 milhões visto em igual mês do ano passado. No entanto, é maior do que o déficit de US$ 242 milhões registrado em fevereiro. 

Esse aumento de gastos na margem, explicou Maciel, teve influência das regras de tributação para agências de viagem, o que deixou os gastos represados. No início do ano, a alíquota para remessas por essas empresas havia subido para 20%; depois de pressão do setor de turismo, o governo cedeu e reduziu para o mesmo valor do cartão de crédito quando usado em compras no exterior, 6,38%. “Com essa mudança de alíquotas valores ficaram represados”, explicou.

“É importante lembrar que esse é um item sensível a taxa de câmbio. Mas movimentos de valorização do câmbio tendem a favorecer essas despesas”, observou. A parcial de viagens mostra despesas líquidas de US$ 375 milhões, valor formado por receitas de US$ 260 milhões e despesas de US$ 635 milhões. 

Maciel relatou ainda que a conta de serviço com transportes mostra déficit de US$ 764 milhões contra US$ 1,802 bilhão em igual período do ano passado - uma queda em torno de US$ 1 bilhão. “Isso reflete a retração da corrente de comércio, mas também queda na compra de passagens aéreas por brasileiros. Quando esse fluxo diminui, afeta o item de transportes”, justificou. 

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