André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Investimento Direto no País soma US$ 5,777 bi em abril

Investimentos Diretos no País (IDP, antes chamados de IED) não foram suficientes para cobrir o rombo nas contas externas

Célia Froufe, Victor Martins, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2015 | 11h14

BRASÍLIA - Os Investimentos Diretos no País (IDP, antes chamados de IED) não foram suficientes para cobrir o rombo nas contas externas. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira pelo Banco Central, esses recursos trazidos por estrangeiros e que são destinados para o setor produtivo somaram US$ 5,777 bilhões em abril, deixando uma diferença a ser coberta por capital especulativo, recursos que têm sido atraídos ao Brasil pelo elevado diferencial entre os juros externo e doméstico. O déficit em transações correntes ficou em US$ 6,901 bilhões no mês.

O resultado do IDP ficou dentro das estimativas apuradas pela Agência Estado com 14 instituições financeiras, que iam de US$ 4 bilhões a US$ 6,7 bilhões, com mediana de US$ 4,4 bilhões. Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de março ficaria em US$ 4,2 bilhões. A estimativa da autarquia foi feita com base nos números até 17 de abril, quando o País havia recebido US$ 2,6 bilhões em recursos externos.

Em abril, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, enfatizou que, com a nova metodologia, houve uma profunda alteração nas estatísticas dessa conta por causa da alteração de conceito relativo a empréstimos intercompanhias. O IDP também deve ser mais volátil do que o antigo IED, de acordo com o técnico. No mês passado, ele deu como exemplo uma captação externa de US$ 10 bilhões feita por uma subsidiaria de uma empresa brasileira no exterior. Antes essa captação transferida pela subsidiária para a matriz brasileira era considerada como empréstimo de amortização de capital. Agora, é computada como IDP dentro do conceito de "internacionalização" de recursos de "fora para dentro". "Não importa se a filial é brasileira ou não. O importante é de onde estão vindo os recursos", disse Maciel.

No acumulado dos últimos 12 meses até abril deste ano, o saldo de Investimento Estrangeiro ficou em US$ 86,069 bilhões, o que representa 3,89% do Produto Interno Bruto (PIB). No quadrimestre, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo soma US$ 18,912 bilhões.

Com a mudança, o Banco Central introduziu nas estatísticas o conceito de "lucros reinvestidos" - que ocorre quando uma empresa obteve um lucro e decide manter esses recursos no Brasil ao invés de repatriá-lo para a matriz. Essa nova conta tem impacto no registro de IDP, mas não afeta o fluxo cambial. Em abril, os lucros reinvestidos ficaram negativos em US$ 651 milhões.

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