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Investimento do governo cai 3,5% até abril

Apesar das cobranças da presidente Dilma Rousseff, os investimentos do governo federal ainda patinam este ano, em meio ao cenário de desaceleração do ritmo de crescimento da economia brasileira. O Tesouro Nacional divulgou ontem dados que mostram quadro nada animador: queda de 3,5% dos gastos nos investimentos de janeiro a abril.

ADRIANA FERNANDES, EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2012 | 03h15

Esses dados não levam em consideração as despesas que o Tesouro tem com o pagamento de subsídios do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Contabilizados esses gastos, que somaram R$ 7,1 bilhões no quadrimestre, os investimentos registraram, no período, expansão de 28,9%.

Há, no entanto, controvérsia técnica em relação à decisão de inflar os investimentos com os subsídios do programa habitacional que, para muitos especialistas, são gastos de custeio. Desde o início do ano, os gastos do Minha Casa passaram a ser incluídos na contabilidade das despesas com investimentos.

O resultado do chamado governo central, que reúne as contas do Tesouro, Previdência e Banco Central, mostrou que o governo pagou apenas R$ 1,51 bilhão dos investimentos previstos no Orçamento deste ano. O restante das despesas pagas - R$ 19,57 bilhões - foi de investimentos do Orçamento de 2011, transferidos para este início de ano como "restos a pagar" de 2011.

A dificuldade da máquina administrativa em acelerar o investimento ajudou as contas do governo central a fecharem com superávit primário de R$ 45 bilhões no primeiro quadrimestre, alta de 9,2%. O superávit primário é a economia que o governo faz para pagar gastos com juros da dívida pública. Até agora, o governo já cumpriu 46,5% da meta anual.

As despesas, de janeiro a abril, cresceram mais do que as receitas: 13,1%, ante 12,3%. Em abril, o superávit primário foi de R$ 11,21 bilhões, queda de 27,86% em relação ao mesmo mês de 2011, mas alta de 47% ante março de 2012.

Aceleração. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, reconheceu que o desempenho dos investimentos não é o "ideal", mas prometeu aceleração nos próximos meses. O Estado informou ontem que a presidente Dilma encomendou um "choque" nos investimentos. "O aumento do investimento é elemento indutor do crescimento econômico", afirmou Augustin.

Segundo ele, o resultado fiscal até abril dá tranquilidade para o cumprimento da meta integral de superávit, sem a necessidade de abatimentos. Para Augustin, o aumento dos investimentos não é incompatível com o cumprimento da meta.

Ele negou que o governo vá reduzir o esforço fiscal para acelerar o crescimento. Mas disse que o governo fará sempre ações necessárias para dar o maior impulso possível à economia. No sábado, o Estado mostrou que o governo pode reduzir o superávit em caso de agravamento da crise. "A fórmula que o Brasil vem adotando é bem-sucedida e vamos mantê-la. Vamos abrir espaço para a política monetária".

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