Investimento do governo somará R$ 30 bi no ano, diz Mantega

Segundo ministro da Fazenda, recursos representam esforço para estimular a demanda em meio à crise mundial

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

08 de junho de 2009 | 12h24

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os investimentos do governo este ano devem atingir cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o que é equivalente a um montante pouco superior a R$ 30 bilhões.

 

 

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Segundo Mantega, esses recursos representam um esforço do governo para estimular a demanda agregada em meio à forte crise internacional. "A infraestrutura também ficou com forte estímulo do governo, devemos chegar a 1,2% do PIB (de investimentos do poder executivo), é pouca coisa, porém, melhor do que ocorria no passado", disse ele.

 

Ele afirmou que a economia brasileira, "certamente", deve registrar PIB negativo no primeiro trimestre deste ano em relação ao apurado no quarto trimestre de 2008. "Sabemos que o PIB no primeiro trimestre deste ano será negativo. Há economistas fora do governo que preveem uma queda de 1%, 2% ou 2,5%, mas eu não vou fazer previsão", disse.

 

Na avaliação do ministro, contudo, essa será uma notícia do passado, "vista pelo retrovisor", pois a economia brasileira já está registrando recuperação clara em vários setores, o que foi, segundo ele, propiciado pela ação rápida do governo ao adotar medidas anticíclicas a fim de diminuir os impactos da crise no País.

 

Expectativas

 

Ele acredita que um crescimento de 1% para este ano "é viável". Mantega ressaltou que este é um objetivo que ele defende, mas não se trata de uma previsão econômica oficial. "É factível (crescer 1%). Porém, vai implicar um trabalho muito duro de todos nós, uma confiança maior do consumidor para voltar a consumir mais, confiança maior do empresário para voltar a produzir", comentou o ministro.

 

De acordo com o ministro, o primeiro trimestre deve apontar um resultado negativo, mas nos seguintes continuará a avançar e, no quarto trimestre de 2009, o ministro destacou que haverá fatores positivos contribuindo para a melhora do nível de atividade, entre eles a recuperação plena do crédito, a melhora das condições de financiamento e algum fortalecimento das exportações nacionais devido à recuperação um pouco mais expressiva de economias de diversos países do mundo.

 

Ele destacou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para compra de carros e produtos da linha branca, o aumento do crédito, que contou com a colaboração especial dos bancos públicos, e também a iniciativa do governo de reduzir impostos sobre materiais de construção civil.

 

"O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) possui R$ 160 bilhões à disposição para financiar investimentos e capital de giro de empresas." De acordo com o ministro, a economia brasileira continuará em processo de gradual expansão e, em 2010, deve retomar um patamar mais avançado de crescimento, quando deve avançar perto de 4%.

 

Juros

 

Mantega mostrou-se descontente com o patamar de juros reais que o Brasil possui atualmente. "Alguns estão satisfeitos com esses juros reais de 5%. Eu não estou satisfeito, pois 5% é taxa de aplicação (financeira)", comentou nesta segunda-feira, 8.

 

Segundo o ministro, esse patamar de taxa de juros real contempla basicamente investimentos, mas o custo financeiro para a tomada de empréstimos por empresas e cidadãos está ainda bem alto. "O tomador de crédito paga 28%, 30%, 40%, 50% ao ano. (O juro do) crédito ao consumidor está estupidamente elevado", afirmou.

 

O comentário do ministro ocorre algumas semanas depois de o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ter manifestado, em eventos públicos, que a taxa de juros real de 5% é a menor da história recente do País e que muitas pessoas no passado sonhavam com esse patamar.

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