Investimento e consumo das famílias puxaram economia em 2007

"Casamento" destes motivos definiu "uma qualidade de crescimento importante", afirma coordenador do IBGE

Jacqueline Farid e Adriana Chiarini, da Agência Estado,

12 de março de 2008 | 10h58

A expansão dos investimentos e o consumo das famílias impulsionou o crescimento da economia em 2007. Dados divulgados na manhã desta quarta-feira, 12, mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,4% em 2007. "O mercado doméstico é que puxou a economia e provavelmente de uma forma como não havia ocorrido antes. "Em 2006 também houve esse padrão, mas em 2007 ocorreu uma intensificação (da demanda interna)", comentou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.   Veja também: Economia brasileira cresce 5,4% em 2007 'Estamos acelerando crescimento sem inflação', diz Mantega A medida do crescimento do País    O coordenador de contas nacionais do instituto, Roberto Olinto, destacou a importância do casamento entre investimentos e consumo para definir "uma qualidade de crescimento importante" da economia em 2007. "O que está ocorrendo nos últimos anos, que mostra um padrão importante de crescimento do PIB, é o aumento da taxa de investimento, que significa que há uma preparação para uma expectativa de aumento da demanda, o consumo é um estímulo ao investimento", disse.   Contudo, ele reforçou a importância isolada do consumo das famílias, devido ao grande peso que esse item tem na pesquisa. "O investimento cresceu muito, mas o peso é bem menor", afirmou Olinto. O peso do consumo das famílias é de 60,9% e o dos investimentos, somado à variação de estoques, é de 17,9%. O consumo das famílias cresceu 6,5% e os investimentos 13,4%.   Segundo Olinto, ao contrário do que ocorreu em 2004 (quando a economia cresceu 5,7%, desempenho muito próximo à expansão de 5,4% apurada em 2007, a segunda maior da série do IBGE), no ano passado "não houve crescimento baseado apenas nas exportações, há um mercado interno sendo fortalecido e com investimento forte".   Segundo divulgou hoje o IBGE, o consumo das famílias cresceu 6,5% em 2007, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que indica a expansão dos investimentos, aumentou 13,4%. Rebeca destacou que, dos 5,4% de expansão do PIB, a demanda doméstica contribuiu com 6,9 ponto porcentual, enquanto o setor externo teve contribuição negativa de 1,4 ponto, já que as importações (20,7%) cresceram bem acima das exportações (6,6%).   Renda puxa consumo das famílias   No caso do consumo das famílias, o crescimento foi puxado pelo aumento de 3,6% da massa salarial real no período e pela expansão nominal de 28,8% no saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para pessoas físicas. Segundo Rebeca, também contribuíram para o aumento do consumo a queda da taxa básica de juros (Selic) - cuja média em 2006 foi de 15,1% ao ano, caindo para 11,9% na média de 2007 - e o crescimento das importações.   Rebeca observou que em 2004, quando o PIB cresceu 5,7%, o consumo das famílias teve uma variação de 3,8%, abaixo da expansão total da economia. No mesmo ano, as exportações cresceram 15,3%. Em 2007 houve uma inversão total nesse perfil, com aumento do consumo acima do PIB e aumento bem menor das vendas externas, de 6,6%.   Investimentos   Já o crescimento dos investimentos foi puxado especialmente pela produção e importação de máquinas e equipamentos, segundo observou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. A FBCF é composta pela construção civil (peso de cerca de 40% no cálculo e variação de 5,1% em 2007) e máquinas e equipamentos (peso de 60% e aumento de 19,3% em 2007).   Segundo Rebeca, o aumento da FBCF também reflete a queda dos juros e o aumento do crédito para empresas. Além disso, o crescimento de mais de 20% nas importações de bens de capital (usados na produção) também influenciaram o resultado da FBCF.    

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