FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Investimento é palavra-chave para sair da recessão, diz especialista

Para Gesner Oliveira, professor da FGV, é necessário que o governo realize parcerias com o setor privado

Victor Aguiar, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2016 | 11h38

SÃO PAULO - O aumento no volume dos investimentos em infraestrutura será fundamental para que o País saia do cenário recessivo, afirmou  na manhã desta quarta-feira, 2, o sócio da GO Associados e professor da Fundação Getúlio Vargas, Gesner Oliveira, durante  encontro da série Fóruns Estadão, com o tema "Infraestrutura - Inovação para o Crescimento".

"Se confirmadas as projeções de crescimento para 2015 e as estimativas para 2016, 2017 e 2018, teremos praticamente a estagnação da economia", ressaltou Oliveira. Para o especialista, a recuperação econômica não poderá ocorrer pelo aumento no consumo, dadas as perspectivas de retração nesse tipo de atividade, ou pelo aumento de gastos do governo, em função da situação delicada das contas públicas.

"O setor externo, felizmente, tem mostrado uma boa reação, mas não é suficiente para recuperar sozinho a economia. Portanto, o investimento em infraestrutura é fundamental", disse Oliveira, ressaltando que a taxa de investimentos em infraestrutura no Brasil ainda é baixa em comparação com países como China e Índia.

Segundo o sócio da GO Associados, para aumentar o nível de investimentos no Brasil é necessário que ocorram parcerias entre governo e setor privado. "Apesar da crise, verificamos parcerias em vários segmentos, anunciadas em diários oficiais. Há apetite para parcerias", ressaltou. "Há tanta demanda reprimida por infraestrutura que, apesar dos indicadores econômicos desfavoráveis, há atratividade em certos investimentos".

Oliveira ainda afirmou que é necessário o vencimento de três barreiras que possibilitarão o aumento nos investimentos, com segurança: o aumento de recursos, a existência de garantias adequadas e a desburocratização do setor.

Em sua apresentação, Oliveira usou o setor de saneamento para exemplificar as dificuldades em infraestrutura no Brasil. "Não temos a universalização no acesso à água tratada, metade da população não tem coleta de esgoto, pouco mais de 40% possui tratamento do esgoto gerado. Perdemos, em média, 37% da água", ressaltou. Segundo o especialista, se mantido o atual ritmo de investimentos no setor, a universalização dos serviços de saneamento se dará apenas em 2052. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.