Investimento em 2 anos é o maior desde o Real

O crescimento do investimento no País acumulado entre 2006 e 2007 deverá ficar pouco acima de 18%, maior expansão em dois anos desde o Plano Real, no biênio 1994 e 1995 (25%). O levantamento é do Grupo de Conjuntura do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com base nas duas vezes em que o investimento cresceu dois anos seguidos em ritmo forte no período. Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) a pedido do Estado mostra que setores ligados ao mercado interno estão investindo mais este ano.Trata-se do maior ciclo de investimento desde o início do Real, na avaliação do economista do IE/UFRJ Marcos Felipe Casarin. Ele afirma que o investimento cresce, como naquela época, favorecido pelo dólar baixo, que estimula as importações de máquinas e equipamentos, mas também pelo crescimento da produção local de bens de capital. Estima-se que a taxa de investimento sobre o Produto Interno Bruto (PIB), que no ano passado estava em 16,8%, deverá ficar entre 17,5% e 18% este ano e poderia chegar ao nível de 21% até 2009, conforme projeção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).A especialista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mérida Herasme, afirma que há um "cenário propício" para o investimento do setor privado. Os três motivos básicos são: expectativas favoráveis dos empresários captadas pelas sondagens de conjuntura, crescimento no uso da capacidade instalada, demanda interna crescente impulsionada por ganhos da massa de rendimento e do crédito e acesso mais fácil a maquinário importado. "Investimento e consumo são as parcelas que mais crescem no PIB."O levantamento da FGV mostra que setores mais voltados ao mercado interno investirão mais este ano, em relação às vendas totais. São os casos dos segmentos de material de transporte, material elétrico e de comunicações, vestuário e calçados e produtos farmacêuticos.No setor de medicamentos, 75% das empresas planejam investir mais. No de material de transporte, o investimento deverá subir de 3,4% das vendas para 4,8%. Já em setores como celulose e metalurgia, que têm parcelas de investimento relativamente maiores, a perspectiva é de investimentos menores. As empresas de celulose, que investiram o equivalente a 26,3% das vendas no ano passado, aplicarão 17,8%.O caso da Coca-Cola exemplifica bem a tendência. Depois de manter investimentos entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões de 2003 a 2006, a multinacional e seus engarrafadores no País projetam investir R$ 1 bilhão este ano. No segundo trimestre, o volume de vendas de bebidas cresceu 22%. Para o diretor de comunicação da Coca-Cola, Marco Simões, o crescimento reflete a expansão da renda.

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