Investimento em inovação ainda tem baixo retorno

Os investimentos do governo brasileiro em inovação cresceram nos últimos anos, mas o País não consegue transformar sua produção acadêmica em aplicações práticas para as empresas, que gerem invenções e patentes.

Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2011 | 00h00

Entre 2000 e 2008, último dado disponível no IBGE, os gastos públicos em pesquisa e desenvolvimento subiram de R$ 6,49 bilhões para R$ 17,68 bilhões - alta de 170%. Porém, o índice de inovação aplicado à indústria avançou apenas 7 pontos porcentuais no período, saindo de 31,5% para 38,6%. Esse indicador mede o quanto do esforço inovador do País se transformou em benefícios para as empresas.

"O Brasil tem um parque industrial grande e políticas de inovação antigas e bem estruturadas, que não consegue reverter em benefícios à sociedade", diz Ricardo Sennes, sócio-diretor da Prospectiva Consultoria.

Para Carlos Eduardo Calmanovici, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Empresas Inovadoras (Anpei), "existe uma diferença entre quantidade e qualidade do investimento público em inovação".

Os dados indicam que os gastos do governo em inovação não incentivam as empresas a seguir o mesmo rumo. Em 2010, o País investiu 1,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, bem menos que os 2,61% dos EUA e os 3,16% da Coreia do Sul.Do total investido pelo Brasil, 0,59% foi feito pelo governo e 0,48% pelo setor privado. Nos EUA, 1,86% do investimento é privado e 0,75%, estatal.

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