Investimento em máquina automática exige cautela

Segundo especialista, empresário precisa ter fôlego financeiro, pois retorno só vem no médio e longo prazos

Gisele Tamamar, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2013 | 02h15

Elas estão nos escritórios, nas estações de metrô e nos cinemas. As vending machines, máquinas que vendem de chocolates a livros, movimentaram R$ 700 milhões no Brasil em 2012, cifra 40% maior do que a registrada em 2010. Para 2013, a estimativa da Associação Brasileira de Vendas Automáticas (ABVA) é que o setor cresça 7%.

Apesar da tendência de continuidade de expansão, principalmente fora dos grandes centros, o presidente da ABVA, Pedro Zanella, alerta que o empresário disposto a investir nas máquinas precisa ter fôlego financeiro, pois o retorno do investimento só vem no médio e longo prazos. "Não é um ativo barato. Uma máquina de salgadinhos ou café custa R$ 18 mil."

No Brasil, existem cerca de 600 operadores - 80% são pequenos e médios empresários. "O forte dos operadores são as máquinas de bebidas quentes, como café e cappuccino, que estão dentro de empresas, e o segmento de salgadinhos. Mas vai da imaginação do empreendedor. Hoje as máquinas vendem livros, bijuterias, pen drives e lâmina de creme para barbear", afirma Zanella.

A associação calcula que 100 mil máquinas estejam atualmente em operação no País - quase 2 mil habitantes por máquina. Na Itália, por exemplo, essa relação é de 90 habitantes por máquina. "O mercado de autoconsumo é uma tendência. As pessoas gostam de comprar nas máquinas. É prático, rápido e elas estão localizadas em pontos de grande circulação", diz Zanella. Como as máquinas são importadas - 70% delas da Itália -, o desafio do setor está nas taxas de importação e na variação do câmbio.

O empresário Antonio Chiarizzi Júnior resolveu apostar no setor. Para isso, abriu a franquia de vending machines Mr. Kids, que vende brinquedos licenciados (antes, as máquinas voltadas para o segmento vendiam só bolas).

O empresário conta que entrou no segmento por influência do filho. "Eu já estava cansado do meu negócio e resolvemos montar a Mr. Kids, uma rede de franquias para novos operadores com formato profissional", conta Chiarizzi, que antes administrava lojas de serviço da operadora Telefônica.

Escala. Criada há dois anos, a Mr. Kids tem 47 fraqueados e faturou R$ 1,7 milhão em 2012. A expectativa é fechar este ano com 80 a 100 parceiros comerciais. Ao se tornar um franqueador, a empresa ganhou vantagens de escala, o que reduziu o preço unitário dos brinquedos e tornou o negócio mais competitivo, de acordo com Chiarizzi Júnior.

Hoje, ele vende produtos licenciados pela Marvel e pela Turma da Mônica, com foco em itens colecionáveis. "Isso faz a criança buscar novas compras", explica.

O franqueado que quiser investir na Mr. Kids tem de investir cerca de R$ 10 mil em máquinas e produtos, além de pagar uma taxa inicial de franquia de R$ 5 mil. O período para retorno do investimento é estimado em 10 a 12 meses.

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