Investimento em ritmo lento e sem perspectivas

O Brasil investe pouco e, nos últimos cinco anos, apenas num trimestre de 2010 e noutro de 2011 a taxa de investimento superou os 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2013, essa taxa foi de 18,4% do PIB, declinando para cerca de 17% do PIB em 2014, segundo as últimas estimativas. O risco é de que esta situação persista neste ano, como indicou a pesquisa Sondagem de Investimentos, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV): pelo segundo trimestre consecutivo piorou a tendência de realização de investimentos.

O Estado de S.Paulo

13 de março de 2015 | 02h04

A rigor, o levantamento trata apenas de uma parcela dos investimentos - aqueles realizados pelas indústrias. Mas, ante as dificuldades observadas em outros setores, como na infraestrutura e na construção civil, as informações da FGV devem ser observadas com atenção. A indústria investe em capital fixo, como máquinas e equipamentos, veículos, novas construções, ampliação ou melhoria de instalações.

No primeiro trimestre, 29% das 669 empresas consultadas informaram que investiram menos nos últimos 12 meses, enquanto 27% informaram ter investido mais. Ainda mais negativa é a tendência para os próximos 12 meses, pois 31% das empresas programam investir menos do que investiram nos 12 meses anteriores e apenas 27% pretendem investir mais.

O desânimo dos industriais já seria explicável pela conjuntura, apontando para a estagnação da economia e para níveis elevados de capacidade ociosa. A indústria, em particular, declinou 3,2% em 2014 e deverá apresentar nova queda neste ano.

Inexistem, hoje, condições capazes de estimular o investimento. Para 59% das empresas consultadas, o que mais piorou foi o fator Ambiente Econômico, seguindo-se as Condições de Crédito, a Demanda Interna e a Situação Econômica Externa. Entre os cinco fatores analisados, apenas o nível de Demanda Externa - que depende do câmbio - foi considerado uma influência positiva para a realização de investimentos por 23% das empresas, mas negativa por 17% das consultadas.

Salvo exceções, a política de investimento das empresas do setor secundário é de longo prazo. Os industriais não costumam confundir situações episódicas com avaliações de expansão futura, que depende de aspectos demográficos e distributivos, entre outros. Retomar o crescimento do PIB depende do ambiente favorável ao investimento - e de evitar desperdícios, que caracterizaram investimentos de estatais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.