Investimento em trem-bala pode chegar a US$ 9 bi

Trem vai ligar as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

24 de abril de 2008 | 16h59

Empresas japonesas e coreanas disseram à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que vão participar do leilão de concessão do trem de alta velocidade do Brasil, que o governo pretende realizar no primeiro trimestre de 2009 para ligar as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O investimento necessário é calculado em cerca de US$ 9 bilhões, com base no que foi gasto em projeto semelhante realizado em Taiwan. A licitação internacional prevista pelo governo brasileiro, deve atrair ainda consórcios da Alemanha e da França, países que detêm a tecnologia de trens de alta velocidade. Dilma está em Tóquio para participar das comemorações dos 100 anos de imigração japonesa para o Brasil e também teve reuniões com o Banco de Cooperação Internacional do Japão (JBIC), que pode financiar parte do projeto. O Brasil está entre os cinco maiores destinos dos recursos do JBIC, que já concedeu crédito para a despoluição do rio Tietê e para a Linha 4 do Metrô de São Paulo. Antes de iniciar sua agenda em Tóquio, Dilma passou por Seul para discutir com os coreanos a construção do trem de alta velocidade.  Hoje a ministra vai conhecer de perto o shinkansen, nome do trem bala japonês. Dilma embarca às 9h (horário local) para Kyoto, antiga capital imperial, e deve gastar duas horas e vinte e dois minutos na viagem de 514 quilômetros - incluindo paradas em três estações. Segundo Dilma, o governo e as companhias japonesas foram informados de que a modelagem do leilão pode incluir a exigência de grupos estrangeiros realizarem joint-ventures com empresas brasileiras, para as quais teriam que transferir tecnologia. Também deve haver obrigatoriedade de compra de equipamentos nacionais para as obras. O consórcio japonês que deve participar do leilão é formado pelas empresas Mitsui, Kawasaki, Toshiba e Mitsubishi. Ontem pela manhã, a chefe da Casa Civil se reuniu com representantes das quatro empresas e disse ter escutado deles a manifestação de que estão dispostos a atender as exigências brasileiras para o leilão. Japoneses Representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas comemorações em Tóquio, Dilma aproveitou o momento de evidência dos laços familiares entre Brasil-Japão para tentar reanimar as relações econômicas entre os dois países.  O Brasil tem 1,5 milhão de descendentes de imigrantes japoneses, enquanto 310 mil brasileiros descendentes desses imigrantes vivem hoje no Japão. Ao lado do trem de alta velocidade, os temas que dominaram a agenda foram a dragagem dos portos brasileiros, TV Digital e etanol. Entre os meses de julho e janeiro, o governo fará licitações internacionais para a contratação de serviços de dragagem de 12 portos, incluindo o de Santos (SP). Segundo Dilma, o Ministério dos Transportes do Japão assumiu o "compromisso" de que empresas do país participarão da disputa.  A falta de serviços permanentes de dragagem é um dos principais problemas dos portos brasileiros, que acabam tendo problemas de navegação em razão do acúmulo de sedimentos no leito dos canais de acesso aos terminais. Com a licitação internacional, o objetivo é ter empresas que prestem esse serviço de maneira permanente, o que vai acabar com as contratações emergenciais realizadas atualmente. A ministra afirmou que o governo e as empresas japonesas demonstraram disposição de retomar o processo de investimentos no Brasil que ficou estagnado nas décadas de 80 e 90, depois da explosão dos anos 60 e 70.  "As relações entre Brasil e Japão assumem cada vez mais um caráter estratégico. Essa é uma manifestação do governo japonês e das empresas japonesas", afirmou a ministra em entrevista coletiva concedida depois da cerimônia de comemoração dos 100 anos de imigração, que contou com a presença do imperador Akihito, da imperatriz Michiko e do príncipe herdeiro Naruhito. Sob ataque de ambientalistas no mundo todo, o etanol ocupou parte significativa da agenda da ministra em seus encontros com autoridades e empresários japoneses. Dilma afirmou que os japoneses "têm consciência" da distinção entre a produção de etanol de milho e de cana-de-açúcar e dos distintos impactos que cada um tem sobre o preço internacional dos alimentos.  "Usamos menos de 1% de nossas terras agricultáveis há 30 anos para fazer etanol. Há 30 anos, nós não somos responsáveis pelo aumento do preço dos alimentos", observou. Segundo ela, diante da alta na cotação do petróleo e do problema do aquecimento global, os japoneses estudam a possibilidade de importar etanol e de investir nesse setor no Brasil. A ministra não disse, mas esse é um longo processo, já que o Japão hoje é exportador de gasolina e teria que modificar toda sua estrutura de distribuição de combustíveis para poder utilizar o etanol brasileiro.

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