Investimento estrangeiro atinge valor recorde de US$ 40 bilhões em 2008

No ano em que a crise americana se agravou e se espalhou pelo mundo, o Brasil recebeu um recorde de investimento estrangeiro direto (IED), que é voltado para a produção. Com os US$ 2,2 bilhões que entraram em novembro e mais US$ 3 bilhões em dezembro, até ontem, o saldo no ano beira os US$ 40 bilhões, superando em 15,6% o recorde de 2007. A série do Banco Central (BC) começou em 1947. "Os números continuam mostrando que há fluxo de investimento para o Brasil e as empresas trabalham com um cenário de médio e longo prazos", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. "Mas o mais importante é que o IED se dá de forma muito pulverizada. Isso mostra a manutenção da confiança."Em 2009, no entanto, a crise financeira deve reduzir o IED. A projeção do BC, divulgada ontem, indica que o ingresso deverá ficar em US$ 30 bilhões, uma redução de 25% em relação a este ano. A Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) avaliou, em seu boletim, que "o que mais surpreende nesse vigor de ingressos de IED no Brasil é que ocorre em meio ao aumento da aversão global ao risco". A entidade destaca que há alguns anos está em curso um movimento de aumento da participação do investimento estrangeiro direto nos países emergentes, como o Brasil, e, mesmo que haja redução nos fluxos globais de IED, esse movimento de migração para os emergentes deve continuar, já que a crise está centralizada nos países desenvolvidos. LONGE DA BOLSAEnquanto o IED segue forte, os investimentos financeiros de estrangeiros vão em outra direção. Em novembro, as aplicações em ações tiveram saída líquida de US$ 1,757 bilhão, depois de um violento saldo negativo de US$ 6,065 bilhões em outubro, refletindo a crise financeira internacional. Em dezembro, esse segmento melhorou, acumulando até ontem ingressos de US$ 500 milhões. Na renda fixa, o quadro também é ruim. As aplicações em títulos de renda fixa, em novembro, apresentaram saída líquida de US$ 2,725 bilhões. Em outubro, o saldo negativo havia sido de de US$ 1,81 bilhão. Em dezembro, também até ontem, o segmento acumulava retiradas de US$ 250 milhões. O ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas afirma que a persistência de saldos negativos na renda fixa mostra que os investidores ainda estão avessos ao risco.

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