Investimento estrangeiro bate recorde

Entrada de recursos voltados para a produção chega a US$ 32,5 bi e cobre o rombo, também recorde, das contas externas, de US$ 25,5 bi

Fabio Graner e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

A entrada de investimentos estrangeiros diretos - voltados para o setor produtivo - atingiu no primeiro semestre a marca recorde de US$ 32,5 bilhões, a mais alta desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 1947. Em seis meses, a entrada de recursos superou o volume de ingressos anuais de toda a série, com exceção de quatro anos, e cobriu, com folga, o déficit das contas externas brasileiras.

O saldo negativo de US$ 25,5 bilhões nas contas externas, impulsionado por gastos sem precedentes com viagens internacionais e aluguel de equipamentos, também foi recorde na primeira metade do ano.

No período acumulado em 12 meses, os investimentos diretos também superaram, com larga vantagem, o saldo negativo da chamada conta corrente, que registra as transações comerciais, de serviços e transferências de renda do País com o exterior. Para o BC, isso indica a boa saúde das contas externas.

Enquanto os investimentos direcionados ao setor produtivo estão em forte crescimento, os ingressos de recursos para aplicações em títulos de renda fixa e ações estão em baixa. A entrada de investimentos estrangeiros estritamente financeiros somou US$ 11,6 bilhões, quase a metade do observado no primeiro semestre de 2010.

O BC voltou a negar irregularidades no ingresso de investimentos diretos (IED), apesar das suspeitas do mercado financeiro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do próprio governo federal. A desconfiança é que a rubrica estaria sendo usada para os investidores driblarem a taxação mais alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

"Prefiro atribuir o ingresso de IED, que está dentro da trajetória prevista, às condições da economia brasileira", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. Ele destacou que as estatísticas mostram que tem havido operações muito vultosas que permitem ao BC acompanhar se o registro está sendo feito corretamente.

Mês a mês, os ingressos de IED têm surpreendido. A previsão inicial do BC era de US$ 4,5 bilhões em junho. O resultado ficou quase US$ 1 bilhão acima da previsão. Maciel disse que houve uma concentração de investimentos na última semana de junho, disseminada entre diversos setores. A projeção de saldo para os investimentos estrangeiros diretos no ano é de US$ 55 bilhões, o que pressupõe uma média mensal de ingressos de US$ 4 bilhões no segundo semestre, número que o BC espera que já ocorra em julho.

Para o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, o investimento direto deve continuar alto, porque a taxa de retorno ao investidor é muito elevada no Brasil em comparação a outros países. "O cenário continuará favorável para investimentos", disse, destacando as boas oportunidades em investimentos em infraestrutura.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.