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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Investimento estrangeiro direto atinge US$ 10,3 bi, um recorde

O ingresso de investimentos estrangeiros diretos foi às alturas em junho, atingindo o recorde de US$ 10,318 bilhões, o maior valor mensal desde 1947. Em um único mês, o País recebeu mais recursos do que no ano de 2003 inteiro. ''''É surpreendente'''', admitiu o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes. Ele havia projetado um ingresso de US$ 6,5 bilhões, que ainda assim teria sido um recorde.No ano, os ingressos de investimentos chegaram a US$ 20,864 bilhões, o que levará o BC a rever sua projeção para o total de 2007, atualmente em US$ 25 bilhões. Na série de 12 meses terminada em junho, os investimentos diretos chegaram a US$ 32,261 bilhões. Só houve um fluxo grande assim na época das privatizações, em 2000, quando o ingresso foi de US$ 32,779 bilhões.O volume de junho é, diz Altamir, um ''''ponto fora da curva'''', ou seja, um resultado fora dos padrões. Nos últimos meses, o País vem recebendo fluxos mensais na casa dos US$ 2 bilhões. Para julho, a estimativa é de US$ 3,5 bilhões.O resultado atípico de junho foi provocado por uma concentração de negócios de grande porte. O principal foi a compra das operações brasileiras da siderúrgica Arcelor pelo grupo indiano Mittal. Os dados do BC mostram que houve ingressos de US$ 2,893 bilhões no ramo de metalurgia básica no mês.Outro setor que deu um pulo foi o de ''''serviços prestados a empresas'''', com US$ 1,495 bilhão. Nessa estatística, entrou a compra da Serasa pelo grupo irlandês Experian.Também o setor de ''''intermediação financeira'''' atraiu ingresso forte, de US$ 1,119 bilhão. O número deve incluir o investimento de US$ 494 milhões feito pelo Deutsche Bank, que se tornou sócio da Unibanco Participações Societárias.O fluxo de investimentos estrangeiros para instalar ou comprar empresas no Brasil continuará forte, avaliou Altamir. ''''Acho que caminhamos para a consolidação de outro patamar'''', disse.Além disso, o dinheiro que chega do exterior não é só para comprar o controle de empresas. ''''Tem muita empresa nova'''', afirmou. ''''O que está acontecendo é muito maior do que a compra de controle acionário.'''' Altamir apontou três explicações para o maior fluxo de investimentos no Brasil: os bons fundamentos macroeconômicos (inflação baixa, juros em queda, política econômica estável), a queda do risco Brasil e o movimento de fusões e aquisições que ocorre no mundo todo.SALDO POSITIVOEm junho, o País teve ainda um saldo de US$ 696 milhões na conta de transações correntes (movimento de comércio e serviços e o fluxo de rendas com o exterior). O resultado ficou acima do esperado pelo BC, que previa um número próximo a zero. Neste mês, até ontem, o resultado parcial era um saldo positivo de US$ 100 milhões.O desempenho é explicado principalmente pela queda das despesas líquidas com juros. A conta fechou com um saldo negativo de US$ 560 milhões, menos da metade do US$ 1,2 bilhão de junho de 2006 - as receitas passaram de US$ 381 milhões, em junho de 2006, para US$ 900 milhões agora. As despesas passaram de US$ 1,586 bilhão para US$ 1,460 bilhão no mesmo período. A receita com juros subiu por causa do aumento das reservas internacionais.O crescimento da base de investimentos diretos no Brasil fará com que as remessas de lucros e dividendos permaneçam num volume elevado, disse Altamir. Em junho, foram de US$ 1,746 bilhão, somando US$ 8,625 bilhões no acumulado do ano. Em julho, até ontem, estavam em US$ 1,65 bilhão.

Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2024 | 00h00

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