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Investimento estrangeiro direto atinge valor recorde em junho

Algumas operações pontuais influenciaram resultado. Só a operação da Arcelor/ Mittal envolveu cerca de US$ 5 bilhões

Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado

23 de julho de 2007 | 10h42

Operações pontuais levaram os investimentos estrangeiros diretos no Brasil a patamar recorde em junho. O total foi de US$ 10,318 bilhões, frente a US$ 1,060 bilhão no mesmo mês do ano anterior. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, destacou que o montante surpreendeu. Mas, segundo ele, apesar de ter sido fortemente influenciado por três ou quatro grandes operações, também há um volume grande de recursos disseminados por vários setores. Eles afirmou que essas grandes operações somaram por volta de US$ 7 bilhões a US$ 7,5 bilhões, com maior volume concentrado no setor siderúrgico (a operação da Arcelor/ Mittal, envolvendo cerca de US$ 5 bilhões). Também houve uma operação de cerca de US$ 1 bilhão no setor financeiro e US$ 1,150 bilhão no setor de prestação de serviços de empresas.      O investimento estrangeiro direto no Brasil    Os dados divulgados pelo Banco Central na manhã desta segunda-feira, 23, mostram ainda que o País registrou em junho superávit em transações correntes de US$ 696 milhões, ante resultado positivo de US$ 632 milhões em igual período do ano passado. Este total representa a soma do saldo da balança comercial, a balança de serviços e as transferências unilaterais. As transações correntes mais os investimentos estrangeiros direitos formam o balanço de pagamentos, que é o registro contábil de todas as transações de um país com outros países do mundo.   "O volume restante está mais disseminado", disse Altamir, que destacou ainda que o volume de IED acumulado no primeiro semestre, de US$ 20,864 bilhões, é maior do que os montantes de IED anuais até 2001, quando somou US$ 22,457 bilhões. Segundo Altamir, os fundamentos macroeconômicos, o risco País baixo e o processo de fusões e aquisições que se dá em todo o mundo têm contribuído para a elevação do IED no Brasil. Em relação aos erros de previsão do Banco Central, que esperava US$ 6,5 bilhões para o mês de junho e que para o ano ainda prevê oficialmente US$ 25 bilhões, Altamir disse que "isso é natural" e que, no momento oportuno, o BC irá revisão os dados.   Previsões   Altamir Lopes reforçou que o ingresso recorde de recursos em junho foi um "ponto fora da curva", mas a tendência é de crescimento no segundo semestre. Por isso, Altamir confirmou que o BC vai rever a projeção de US$ 25 bilhões de IED para 2007. "O ingresso em junho foi atípico, mas a tendência é de crescimento muito forte", disse ele, lembrando que, em julho, o fluxo de IED já está em US$ 3 bilhões. "Esse é um valor bastante expressivo. A tendência de crescimento permanece", afirmou.   Ele avaliou que o crescimento do IED no País reflete a tendência de fusões e aquisições no mundo inteiro, mas também pode ser verificado um fluxo de dólares para o chamado "investimento novo". "Não é só mudança de controle (das empresas), é muito mais que isso", justificou. Para Altamir, o impacto do movimento de IED verificado agora pode ser comparado ao do período das privatizações, quando o ingresso desses investimentos cresceu substancialmente, com forte influência na economia.          

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