André Dusek/Estadão
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Investimento estrangeiro direto despenca para US$ 1,5 bilhão em novembro

No mesmo mês do ano passado, o montante de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo no País foi de US$ 8,7 bilhões

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 10h48

BRASÍLIA - Em um ambiente de incertezas sobre o futuro do Brasil, na esteira da pandemia de covid-19, os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 1,514 bilhão em novembro, informou nesta sexta-feira, 18, o Banco Central. No mesmo período do ano passado, o montante havia sido de US$ 8,735 bilhões.  

No acumulado do ano até novembro, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 33,428 bilhões, praticamente a metade do volume que ingressou no mesmo período do ano passado.

A estimativa do BC para este ano é de IDP de US$ 36 bilhões. Esse valor foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na quinta-feira, 17. 

O IDP engloba investimentos mais duradouros no País, como em uma nova fábrica ou ampliação da capacidade de uma instalação já existente no país.  

Em setembro, em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro disse que os investimentos diretos no País aumentaram no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2019. "Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo", afirmou a outros líderes mundiais.

Os números do próprio BC, no entanto, o desmentem. O Brasil registrou no primeiro semestre de 2020 um total de US$ 25,3 bilhões de IDP, valor inferior aos US$ 32,2 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado

Contas externas têm resultado positivo pelo oitavo mês seguido

O resultado das transações correntes ficou novamente positivo em novembro deste ano, em US$ 202 milhões, informou o BC.

Os dados refletem os efeitos da pandemia, que a partir de março se intensificou no Brasil, reduzindo o volume de importações de produtos. A autarquia projetava para o mês passado superávit de US$ 1 bilhão na conta corrente.

O resultado de transações correntes, um dos principais do setor externo do País, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 2,891 bilhões em novembro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 1,772 bilhão. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 1,032 bilhão. No caso da conta financeira, o resultado ficou positivo em US$ 29 milhões.

A estimativa atual do BC é de déficit em conta corrente de US$ 7 bilhões em 2020, segundo o último Relatório Trimestral de Inflação.

Gastos de brasileiro no exterior caem 73%

A conta de viagens internacionais registrou déficit de apenas US$ 144 milhões em novembro, segundo o Banco Central. O valor reflete a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil no período. Em novembro de 2019, o déficit nessa conta foi de US$ 792 milhões.

Com o dólar mais elevado e a restrição de voos em vários países, os gastos líquidos dos brasileiros no exterior despencaram 81,81% em novembro deste ano. Vale lembrar que a pandemia ganhou corpo a partir de março, quando se intensificaram as restrições de deslocamento entre países.

O desempenho da conta de viagens internacionais no mês passado foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 329 milhões - queda de 73,61% em relação a novembro de 2019. O gasto dos estrangeiros em viagem ao Brasil ficou em US$ 185 milhões no mês passado, o que representa um recuo de 59,42%.  

No ano até novembro, o saldo líquido da conta de viagens ficou negativo em US$ 5,024 bilhões. No mesmo período do ano passado, essa conta era negativa em US$ 16,097 bilhões.

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