Investimento Estrangeiro Direto no Brasil recua 42,4% em 2009

No mundo, o fluxo sofreu uma baixa de 34,4%, diz Sobeet; País caiu da 10ª para a 14ª posição em ranking

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

22 de julho de 2010 | 11h56

O fluxo de Investimentos Diretos Estrangeiros (IED) no Brasil sofreu uma queda de 42,4%, passando de US$ 45,1 bilhões em 2008 para US$ 25,9 bilhões no ano passado. Para as economias desenvolvidas, o fluxo de IED no ano passado somou US$ 565,9 bilhões, valor que mostrou uma queda de 41,2% na comparação com os US$ 962,3 bilhões recebidos em 2008. Os dados fazem parte do World Investment Report (WIR 2010), da Unctad, que a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) lançou nesta quinta-feira, 22, em São Paulo.

O fluxo de Investimentos Diretos Estrangeiros (IED) no mundo em 2009 sofreu um recuo de 34,4%, caindo para US$ 1,114 trilhão na comparação com US$ 1,697 trilhão em 2008.

O Brasil caiu da 10ª posição para a 14ª posição de 2008 para 2009. O segundo lugar ficou com a China, que subiu uma posição no ranking, apesar de o valor ter caído de US$ 108,3 bilhões em 2008 para US$ 95 bilhões no ano passado. Mas a França, que em 2008 estava em segundo lugar com um ingresso de IED de US$ 117,5 bilhões, caiu para o terceiro lugar com US$ 59 bilhões no ano passado.

Os Estados Unidos continuaram a liderar no ano passado o ranking dos Top 20 países do mundo que mais receberam investimentos estrangeiros no ano passado, segundo relatório WIR. Os EUA receberam no ano passado um total de US$ 129,9 bilhões. Em 2008, a soma foi de US$ 316,1 bilhões.

"A retração de fluxos de IED não foi uniforme. Os fluxos de IED para as economias desenvolvidas recuaram 48%, com destaque para os fluxos para os Estados Unidos. Para as economias em desenvolvimento o recuo, o primeiro em seis anos, foi de 21%", afirma o presidente da Sobeet, Luís Afonso Lima.

Setores

Ainda de acordo com relatório da Unctad, a redução de investimentos estrangeiros ocorreu em todos os setores, mas foi mais acentuada na manufatura do que no setor de serviços e no setor primário, tendência que deverá perdurar nos próximos anos. "Poucos subsetores apresentaram aumento de seus fluxos de IED em 2009 frente 2008. Entre estes estão os de energia elétrica, gás, saneamento, construção civil e telecomunicações, relacionados à infra estrutura", afirma o presidente da Sobeet.

Regiões

Do total de IED recebido no mundo no ano passado, 50,8% foram direcionados aos países desenvolvidos. A Europa ficou com 34% do montante; a América do Norte, com 13,3% e outros países desenvolvidos, com 3,5%. As economias em desenvolvimento receberam 42,9% do US$ 1,114 trilhão do IED total, sendo que a África levou 5,3%; América Latina, 10,5%; Ásia e Oceania, 27,2% e as economias em transição, 5,6%.

"A crise acentuou a tendência de desconcentração de origem e destino do IED em prol de economias em desenvolvimento. Em termos de destino, economias em desenvolvimento já respondem por 49,2% dos fluxos de IED", diz o presidente da Sobeet. De acordo com ele, dada a tendência deste porcentual, este pode ultrapassar 50% pela primeira vez em 2010.

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