Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Investimentos estrangeiros diretos chegaram em fevereiro ao maior valor em cinco anos

No acumulado de 12 meses, saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 50,678 bilhões, o que representa 3,09% do PIB

Eduardo Rodrigues e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2022 | 12h10

BRASÍLIA - Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 11,843 bilhões em fevereiro, informou nesta sexta-feira, 29, o Banco Central. Trata-se do maior valor desde janeiro de 2017, quando atingiram US$ 12,4 bilhões, maior patamar em um pouco mais de cinco anos.

Esse tipo de investimento é mais duradouro no País e incluem, por exemplo, uma nova fábrica ou ampliação da capacidade de uma instalação já existente. No mesmo mês do ano passado, o montante havia sido de US$ 8,837 bilhões.

O resultado ficou dentro das estimativas apuradas pelo Estadão/Broadcast, que iam de US$ 4,50 bilhões a US$ 13,114 bilhões, com maioria apostando em ingresso de US$ 6,50 bilhões. Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de fevereiro indicaria entrada de US$ 10 bilhões.      

No acumulado do ano até fevereiro, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 16,552 bilhões. A estimativa do BC para este ano é de IDP de US$ 55 bilhões. A projeção foi mantida no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do mês passado. 

No acumulado dos 12 meses até fevereiro deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 50,678 bilhões, o que representa 3,09% do Produto Interno Bruto (PIB).

Com a trégua na greve dos servidores do BC, a autarquia começou a atualizar esta semana as divulgações que estavam atrasadas, como as estatísticas do setor externo, publicadas hoje. Mas os dados apresentados nesta manhã ainda estão defasados. As informações de fevereiro deveriam ter sido conhecidas no final do mês passado. Nesta semana, era para ser divulgado o resultado de março.

Contas externas

Ainda segundo o Banco Central, as contas externas registraram um rombo de US$ 2,4 bilhões em fevereiro deste ano. No mesmo período do ano passado, o déficit havia somado US$ 4 bilhões.

O resultado em transações correntes, um dos principais sobre o setor externo do País, é formado por balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

O número da conta corrente em fevereiro ficou dentro do levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, que tinha intervalo de déficit de US$ 4 bilhões a superávit de US$ 1,5 bilhão (mediana positiva em US$ 400 milhões). O BC projetava para fevereiro déficit de US$ 2,6 bilhões na conta corrente.

Pela metodologia do Banco Central, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 3,508 bilhões em fevereiro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 1,777 bilhão. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 4,410 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 2,900 bilhões.

No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o rombo nas contas externas soma US$ 10,479 bilhões. A estimativa atual do BC é de superávit na conta corrente de US$ 5 bilhões em 2022. A projeção foi atualizada no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do mês passado.

Nos 12 meses até fevereiro deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 26,096 bilhões, o que representa 1,59% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse é o menor déficit em proporção do PIB desde setembro do ano passado, quando ficou em 1,49%.

Para todo ano de 2022, a expectativa do Banco Central é de uma melhora nas contas externas. A estimativa da instituição é de um superávit de US$ 5 bilhões. Se confirmado, será o primeiro saldo positivo desde 2007.

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