Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Investimento estrangeiro na Bolsa bate recorde em outubro

Resultado foi diretamente influenciado pelo lançamento de ações da subsidiária brasileira do banco Santander

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

24 de novembro de 2009 | 10h41

Investidores estrangeiros alocaram US$ 14,449 bilhões em ações brasileiras no mês de outubro, o maior saldo da série histórica iniciada pelo Banco Central (BC) em janeiro de 1947. O ingresso é recorde e quase 100% maior que a antiga marca histórica anterior, de dezembro de 2007, mês em que ingressaram US$ 7,513 bilhões. O forte resultado, segundo o BC, foi diretamente influenciado pelo lançamento de ações da subsidiária brasileira do banco Santander, que aconteceu no começo do mês. O saldo de outubro é comparável ao observado no acumulado dos nove primeiros meses de 2009, de janeiro a setembro, quando as ações brasileiras somaram US$ 17,267 bilhões.

 

Veja também:

link Pessoa física já responde por 30% da Bolsa

link IOF rende R$ 100 mi em 10 dias, diz Receita

Do volume de recursos investidos em ações por estrangeiros, a maior parte, de US$ 9,705 bilhões, foi destinada à compra de papéis negociados no Brasil. O restante (US$ 4,744 bilhões) foi alocado em recibos de ações brasileiras (DRs) negociados em mercados estrangeiros.

 

O resultado mostra reversão do movimento observado em outubro do ano passado, primeiro mês após o agravamento da crise global, quando estrangeiros retiraram US$ 6,065 bilhões do mercado acionário brasileiro. No acumulado de janeiro a outubro, o investimento estrangeiro em ações brasileiras soma US$ 31,716 bilhões.

 

Estrangeiros também alocaram o correspondente a US$ 2,670 bilhões em títulos brasileiros de renda fixa. A maior parte igualmente foi destinada a negócios realizados no Brasil, cuja fatia foi de US$ 1,975 bilhão. A parcela de papéis adquiridos no exterior somou US$ 695 milhões. No acumulado de janeiro a outubro, estrangeiros adquiriram US$ 8,097 bilhões em títulos brasileiros de renda fixa.

 

No dia 20 de outubro, o governo começou a recolher Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de investimentos estrangeiros em renda fixa e ações. Há uma semana, a cobrança foi estendida a operações com papéis de empresas brasileiras no exterior (os chamados DRs). A medida teve como objetivo evitar que investidores adquirissem ações no exterior e não no Brasil como forma de escapar da tributação do IOF. Segundo o Tesouro, nos primeiro dez dias de vigência, essa taxação já proporcionou ao governo uma arrecadação de R$ 100 milhões.

 

Investimento estrangeiro soma US$ 1,5 bilhão

 

Os Investimentos Estrangeiros Diretos no Brasil somaram US$ 1,563 bilhão em outubro, valor menor do que o registrado em setembro (US$ 1,816 bilhão). Em outubro de 2008, no primeiro mês após o agravamento da crise, o País havia recebido R$ 3,913 bilhões.

 

No acumulado de janeiro a outubro de 2009, o ingresso de investimentos produtivos soma US$ 19,254 bilhões, o equivalente a 1,64% do PIB. Em igual período de 2008, o Brasil havia recebido US$ 34,768 bilhões, o correspondente a 2,63% do PIB. Nos 12 meses encerrados em outubro de 2009, o fluxo dessas transferências para o País totaliza US$ 29,544 bilhões, ou 2,07% do PIB.

 

Segundo o chefe adjunto do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Túlio Maciel, o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em novembro até a quarta-feira da semana passada (dia 18) foi de US$ 800 milhões. Segundo ele, essa conta deve fechar este mês com ingressos líquidos de US$ 1 bilhão. 

 

Déficit nas transações com o exterior cresce 26%

 

A conta corrente do balanço de pagamentos - que registra todas as operações de comércio e serviços do Brasil com o exterior - teve em outubro déficit de US$ 2,911 bilhões, valor 26% maior do que o registrado em setembro (US$ 2,31 bilhões), segundo o BC. O resultado veio dentro das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, que previam déficit entre US$ 3,4 bilhões e US$ 1,5 bilhão, com mediana negativa de R$ 2,6 bilhões.

 

O resultado de outubro foi diretamente influenciado pela conta de serviços e rendas, que registrou saída líquida de US$ 4,456 bilhões. Esse valor foi parcialmente compensado pelo resultado da balança comercial, que foi superavitário em US$ 1,28 bilhão e também pelas transferências unilaterais correntes, que trouxeram ao Brasil US$ 216 milhões no mês.

 

De janeiro a outubro de 2009, a conta corrente acumula déficit de US$ 14,788 bilhões, o equivalente a 1,26% do PIB. Em igual período de 2008, o saldo negativo correspondia a 1,83% do PIB. Nos 12 meses até outubro, a conta corrente acumula déficit de US$ 18,857 bilhões, ou 1,32% do PIB.

Tudo o que sabemos sobre:
conta correntebalanço de pagamentos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.