Alex Silva/Estadão-4/9/2020
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Investimento estrangeiro no Brasil mais que dobra em 2021; País sobe para 7º lugar

Volume de recursos para o País foi de US$ 24,8 bilhões em 2020 para US$ 58 bilhões no ano passado, diz Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento

Letícia Frigo, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2022 | 19h09
Atualizado 19 de janeiro de 2022 | 22h49

Os fluxos globais de investimento estrangeiro direto (IED) mostraram uma forte recuperação em 2021, depois de um tombo em 2020, e o Brasil subiu para o sétimo lugar entre os países que mais atraíam esses aportes, de acordo com o Monitor de Tendências de Investimento da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês), divulgado nesta quarta-feira, 19.

O volume de recursos para o Brasil mais que dobrou em 2021 na comparação com o ano anterior, quando ficou em um patamar bem baixo por causa da pandemia da covid-19. O aumento foi de US$ 24,8 bilhões para US$ 58 bilhões. 

Com o resultado de 2021, o Brasil passa a ser o sétimo destino dos investimentos estrangeiros, atrás de Estados Unidos, China, Hong Kong, Cingapura, Reino Unido e Canadá. No ano anterior, tinha ficado em oitavo lugar. Segundo o relatório, apesar de os fluxos de IED terem se recuperado no ano passado, ainda estão em nível inferior ao período pré-pandemia. Esse tipo de investimento é mais duradouro no País e inclui, por exemplo, uma nova fábrica ou ampliação da capacidade de uma instalação já existente.

As economias desenvolvidas tiveram o maior aumento de fluxos no ano passado, para US$ 777 bilhões, três vezes o nível de 2020. Os Estados Unidos receberam US$ 323 bilhões e a China, entrada recorde de US$ 179 bilhões. 

Já os aportes para países em desenvolvimento aumentaram 30%, para cerca de US$ 870 bilhões, com uma aceleração do crescimento no leste e sudeste da Ásia, uma recuperação para níveis próximos da pré-pandemia na América Latina e no Caribe e um aumento na Ásia Ocidental. Os aportes para a África também subiram, mas o número foi inflado por uma única operação na África do Sul no segundo semestre.

“A recuperação dos fluxos de investimento para os países em desenvolvimento é encorajadora, mas a estagnação de novos investimentos nos países menos desenvolvidos em indústrias importantes e setores-chave, como eletricidade, alimentos ou saúde, é motivo de preocupação”, disse a secretária-geral da Unctad, Rebeca Grynspan.

O relatório diz que a confiança dos investidores é forte nos setores de infraestrutura, apoiada por condições favoráveis ​​de financiamento de longo prazo, pacotes de estímulo à recuperação e programas de investimento no exterior. O financiamento de projetos em infraestrutura superou os níveis pré-pandemia na maioria dos setores. Os números de projetos são mais altos em energia renovável e imóveis industriais.

Perspectivas para 2022

Segundo o relatório, as perspectivas para o fluxo de investimentos estrangeiros neste ano são positivas, mas é improvável que a taxa de crescimento do ano passado se repita. Além disso, segundo o diretor de investimentos e empreendimentos da Unctad,  James Zhan, pesam contra a duração prolongada da crise da saúde, com novas ondas da covid-19, e a escalada de tensões geopolíticas. 

“Além disso, leva tempo para que novos investimentos aconteçam. Normalmente, há um intervalo de tempo entre a recuperação econômica e a recuperação de novos investimentos em manufatura e cadeias de suprimentos”, acrescentou Zhan.

O ritmo das vacinações, especialmente nos países em desenvolvimento, bem como a velocidade de implementação do estímulo ao investimento em infraestrutura, continuam sendo importantes fatores de incerteza. Gargalos trabalhistas e na cadeia de suprimentos, preços de energia e pressões inflacionárias também devem afetar os resultados. 


 

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