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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Investimento estrangeiro no Brasil dobrou em 5 anos

O estoque de investimentos estrangeiros diretos no Brasil mais do que dobrou entre 1995 e 2000, passando de US$ 41,695 bilhões para US$ 103,014 bilhões, de acordo com o segundo censo de capital estrangeiro realizado pelo Banco Central, divulgado hoje. Esse montante é referente às participações diretas de grupos estrangeiros em empresas brasileiras. Não estão incluídos aí os empréstimos feitos pelas matrizes às suas filiais no País, que na metodologia do BC são considerados recursos de melhor qualidade e, portanto, classificados no cálculo do fluxo mensal de investimento desde o ano passado. Segundo o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Beny Parnes, esse dinheiro está concentrado no setor de serviços, com 64% do total. A indústria responde por 33,7% e a agricultura, pecuária e extração mineral ficam com os 2,3% restantes. A grande maioria dos recursos que ingressaram no Brasil foi direcionada para a região Sudeste (86,7%), em seguida vem o Sul do País, com 7,3%, e o Nordeste com 3,1%. As regiões Norte e Centro-Oeste receberam apenas um pouco mais de um ponto porcentual: 1,5% e 1,3% respectivamente.A Espanha se destacou como o segundo país em volume de investimentos para o Brasil, perdendo apenas para os Estados Unidos, que continuou na liderança registrada desde 1995, apesar da queda de 26% para 23,8% do total de investimentos. No primeiro ano do censo, os investimentos espanhóis no País não chegavam a 0,6% e, no final de 2000, totalizaram11,9%. O censo foi realizado com base na declaração de 11,404 mil empresas, mais do que o dobro do total do levantamento de 1995. Segundo o diretor do BC, na pesquisa foram consideradas apenas as participações estrangeiras que superam 10% do capital votante ou 20% do capital total das empresas. O passivo externo líquido do Brasil no final do ano passado somava US$ 264,481 bilhões, o equivalente a 52,5% do Produto Interno Bruto (PIB). "Esse valor é bem menor do que esperávamos", afirmou Beny Parns. Segundo ele, isso ocorre porque, pela primeira vez, o governo está abatendo do total de obrigações que o Brasil tem no exterior os investimentos diretos que empresas e grupos brasileiros fizeram lá fora. Até então, o País não tinha um levantamento desses ativos, que somam US$ 50,746 bilhões.Na avaliação do diretor do BC, esse é um sinal altamente favorável e que serve para medir a capacidade que o País tem de honrar os pagamentos que deve fazer nos próximos anos. "A economia brasileira está diversificada e, com isso, tem mais estabilidade e menos risco", comentou.

Agencia Estado,

28 de junho de 2002 | 13h55

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