Investimento estrangeiro no País bate recorde no trimestre

Fluxo atinge US$ 8,799 bilhões nos primeiros meses do ano e ajuda a financiar os déficits em conta corrente

Agência Estado e Reuters,

28 de abril de 2008 | 10h44

O fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) no País somou US$ 8,799 bilhões no primeiro trimestre do ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira, 28. O resultado corresponde a 2,59% do Produto Interno Bruto (PIB) e é o melhor da série histórica. Em março, o IED somou US$ 3,083 bilhões em março, também o melhor para o período. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, destacou que o crescimento do IED mostra que o Brasil ainda não está sentindo os efeitos da crise externa. E, segundo ele, esse fluxo tem servido para financiar os déficits em conta corrente. No mês passado, o País registrou déficit em transações correntes de US$ 4,429 bilhões, ante superávit de US$ 235 milhões no mesmo mês do ano passado. Em 12 meses até março, o déficit em transações correntes corresponde a 0,71% do Produto Interno Bruto (PIB), ante déficit de 0,36% do PIB em 12 meses até fevereiro.  Remessas  As remessas de lucros e dividendos somaram US$ 8,662 bilhões, atingindo o maior nível da série histórica do BC. Apenas em março, as remessas foram de US$ 4,345 bilhões, também o maior volume da série. Além das tradicionais explicações de que as remessas crescem por causa da maior lucratividade das empresas e do maior estoque de IED da economia, Altamir relacionou ainda a forte alta dessa conta à crise externa.  Segundo ele, os setores que têm feito remessas mais volumosas são o financeiro, de veículos e de metalurgia. Esses segmentos têm tido uma rentabilidade expressiva no Brasil, mas são os que estão enfrentado as maiores dificuldades no exterior por causa da crise nos EUA.  Apesar da alta das remessas, o chefe do Depec destacou que a queda das despesas líquidas com juros contribuiu para amenizar esse efeito no balanço de pagamentos. No primeiro trimestre, as despesas com juros somaram US$ 2,191 bilhões, ante US$ 2,863 bilhões em igual período de 2007.  Esses movimentos inversos, entre remessas e pagamentos de juros, mostram uma melhora na qualidade do balanço de pagamentos, já que antes, quando o Brasil tinha uma dívida externa muito elevada e baixas reservas, a carga de juros era elevada e, em momentos de crise, a despesa com juros subia fortemente. Dívida A dívida externa total do Brasil atingiu US$ 202,633 bilhões, de acordo com estimativa do Banco Central para o mês de março. Em fevereiro, o BC estimava a dívida em US$ 198,073 bilhões, enquanto a última posição fechada, de dezembro de 2007, a dívida estava em US$ 193,219 bilhões.

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