Investimento exige previsão dos gastos de custeio

Num artigo publicado em nossa edição de domingo, o economista Amir Khair advertia que investimentos criam despesas de custeio que, em certos casos, como o de um hospital, superam, por ano, o valor do investimento.

, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

A advertência é útil, pois convida a saber escolher entre os investimentos, como também a prever os gastos de custeio que sua realização vai exigir, isto é, a planejar todo o financiamento do investimento.

A primeira providência quando se trata de um investimento é saber quem vai financiá-lo. O ideal seria que fosse o setor privado e, melhor ainda, o capital estrangeiro. No entanto, em se tratando de investimento na infraestrutura, que exige gastos imediatos elevados, enquanto o retorno é de longo prazo, existem possibilidades de recorrer, seja a um sistema de concessão, seja a uma Parceria Público-Privada (PPP), que reduz a parte do governo. É evidente que o governo atual não mostrou grande interesse por essas alternativas. Estamos acompanhando o caso da Usina de Belo Monte em que, em nome da política de "mais Estado", o governo formou um consórcio dominado por empresas públicas que, além do mais, ofereceu um preço que dificilmente poderá ser respeitado, apesar de um financiamento de 80% do BNDES a uma taxa de juros altamente subsidiada.

Pode-se dizer, portanto, que um investimento é altamente inflacionário, de início, por criar gastos e demanda antes de aumentar a oferta de bens e serviços. Aliás, foi em razão dessa característica que lord Keynes preconizava o uso do investimento público como moderador de crise econômica. Isso não significa que se defenda a não realização de investimentos, sem os quais não haveria progresso econômico. O que se tem de fazer é escolher bem entre os investimentos. Sempre há uma escala de urgência a ser respeitada e, como diz Amir Khair, há investimentos feitos apenas para atender lobbies.

No entanto, não se deve medir a urgência em razão dos gastos de custeio futuros vinculados ao investimento; é verdade que a construção de um hospital vai exigir grandes despesas de custeio, o que não é razão para renunciar à sua construção ? apenas há que se ter presente que os gastos de funcionamento serão elevados e planejar recursos para isso.

A mesma exigência se encontra no caso da construção de uma escola que, uma vez pronta, vai exigir a contratação de professores e funcionários. A melhora na qualidade do planejamento é que dará conta de desafios desse tipo.

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