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Investimento na Bolívia servirá para manter importação de gás

Segundo presidente da Petrobras, estatal não prevê ampliar capacidade do Gasoduto Bolívia-Brasil

Leonardo Goy, da Agência Estado,

07 de novembro de 2007 | 15h30

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse nesta quarta-feira, 7, que a estatal não prevê, "neste momento", investir para ampliar a capacidade de bombeamento do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). Segundo ele, os investimentos que estão em negociação com os bolivianos terão como objetivo permitir que a Bolívia cumpra, no longo prazo, o compromisso de entregar os 30 milhões de metros cúbicos diários de gás ao Brasil. Esse total já é a capacidade máxima do gasoduto. Além disso, ele afirmou também que o País não vai parar de crescer por causa da falta de gás.  "Todo campo de gás e de petróleo declina. Para manter o nível da produção, você precisa investir para manter a potência do campo, ou para descobrir novos campos. Assim, para manter o nível de 30 milhões de metros cúbicos por dia são necessários novos investimentos em novos campos e em novas tecnologias", afirmou Gabrielli, em entrevista após participar, no Palácio do Planalto, da abertura do Encontro Nacional do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural. Gabrielli disse que a reunião de terça-feira com autoridades bolivianas, em La Paz, foi "muito boa". "Analisamos a nova etapa do nosso relacionamento, que decorre da normalização das relações contratuais e da regulamentação (do setor) dentro da Bolívia", relatou o executivo.  Ele confirmou que terá uma nova reunião com o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, entre os dias 26 e 30 deste mês. Gabrielli disse que o plano da Petrobras é o de alcançar, em 2012, uma produção própria de gás natural de 73 milhões de metros cúbicos diários de gás. A esse volume, disse, somam-se os 30 milhões de metros cúbicos vindos da Bolívia e os 31 milhões de metros cúbicos que são importados na forma de gás natural liquefeito (GNL). "Estamos criando condições para termos uma oferta de 134 milhões de metros cúbicos de gás em 2012", completou.  Crescimento Gabrielli assegurou, além disso, que os contratos existentes de compra de gás pelas termelétricas e distribuidoras serão "totalmente honrados". Gabrielli garantiu que "o crescimento do Brasil não vai ser afetado por falta de gás". Segundo ele, os investimentos que estão sendo feitos pela Petrobras no setor são suficientes para expandir a produção nacional.  O presidente da estatal disse que em 2008 a empresa espera aumentar em 40 milhões de metros cúbicos diários a produção nacional de gás, principalmente com a exploração da bacia do Espírito Santo. Gabrielli negou que a relação entre a oferta e demanda de gás no Brasil seja muito apertada. "Não é que o cobertor seja curto. A questão é que esse mercado exige contratos. Se você não tiver contrato, não vai encontrar gás na prateleira do supermercado", disse. Segundo ele, as distribuidoras de gás nos estados precisam fazer contratos para definir qual a quantidade firme de gás que necessitam e qual a quantidade pode ser flexibilizada. "Cabe às distribuidoras definir onde elas podem ajustar (o consumo) e qual a prioridade de ajuste que elas têm. Isso é um problema das distribuidoras e não da Petrobras", afirmou. O presidente da Petrobras avaliou que a decisão da distribuidora de gás do Rio de Janeiro, a CEG, de cortar parte do abastecimento de gás natural veicular semana passada foi "uma decisão política"."A empresa tinha alternativas para cortar em outros lugares"Gabrielli repetiu que todas as distribuidoras de gás estavam conscientes de que, se houvesse necessidade, o gás adicional que elas estavam recebendo seria reduzido. Questionado se a Petrobras poderia aumentar o preço do gás para reduzir o consumo, Gabrielli respondeu apenas que o preço do combustível é contratual. O ministro interino de minas e energia, Nelson Hubner, ressaltou que os preços do gás já vêm sendo reajustados. "Vai ter que ter um equilíbrio, uma realidade de tarifas", disse.

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