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Investimento na construção terá que desacelerar para China se reequilibrar

Com isso, pode acabar o superciclo de commodities, que turbina as exportações brasileiras, afirma o economista  Nicholas Lardy

Cláudia Trevisan, correspondente,

21 de março de 2012 | 12h38

O investimento chinês no setor de construção terá que desacelerar de maneira significativa se o país realmente estiver disposto a reequilibrar sua economia, o que levará ao fim do superciclo de commodities que turbinou as exportações brasileiras nos últimos cinco anos, afirmou ontem o economista norte-americano Nicholas Lardy, autor do recém lançado Sustaining China's Economic Growth After the Global Financial Crisis (Sustentando o Crescimento Chinês depois da Crise Financeira Global).

Em sua opinião, grandes exportadores de minério de ferro como Brasil e Austrália terão um período difícil com a inevitável perda de fôlego da segunda maior economia do mundo, agravada pela a mudança de seu modelo de desenvolvimento, com redução dos investimentos e aumento do consumo.

E a construção residencial está no centro desse ajuste. Para Lardy, o setor foi o principal motor de crescimento chinês em anos recentes, mas o volume de investimentos que recebe chegou a patamares insustentáveis, que tendem a se reduzir a partir de agora.

No ano passado, a quantidade de recursos destinada à construção de residências atingiu 9,4% do PIB, índice semelhante aos 9,5% registrados pela Espanha no pico de sua bolha imobiliária em 2007 e superior ao máximo observado nos Estados Unidos (6% em 2005) ou Taiwan (4,3% em 1980).

Em palestra a jornalistas estrangeiros ontem em Pequim, Lardy apontou outros limites para a expansão do setor. A parcela da riqueza das famílias aplicada em propriedades imobiliárias dobrou entre 1997 e 2010, quando chegou a 40%. "Esse percentual não vai dobrar de novo na próxima década", observou. Nos Estados Unidos, o pico foi de pouco mais de 30% em 2005, antes da crise financeira global. O indicador está agora em 25%.

Além disso, o endividamento das famílias aumentou de maneira acelerada entre 2008 e 2011, quando saltou de 31% para 54% da renda disponível, um patamar "extremamente elevado" para países com semelhante estágio de desenvolvimento, segundo Lardy.

Outra fonte de restrições é a exposição dos bancos aos empreendedores imobiliários. Em 2004, o setor respondia por 13,4% dos financiamentos, percentual que atingiu 19,6% no ano passado.

"É pouco provável que o setor de construção residencial continue a ser o principal motor de crescimento da China", disse Lardy. Como há uma série de linhas de transmissão entre o investimento em casas e outros setores da economia, isso deverá provocar uma substancial desaceleração da expansão do PIB, previu.

Analistas do banco UBS estimam que 40% da demanda chinesa de aço está relacionada à atividade de construção residencial, que também influencia o consumo de outros insumos como cimento e cobre. Até a compra de carros sofre reflexo do investimento no setor, já que muitos empreendimentos são realizados na periferia das cidades, o que exige locomoção dos novos moradores.

Lardy sustenta que o boom que manteve guindastes ocupados em todo a China, alimentando a demanda por aço _e por tabela, a de minério de ferro_ é resultado de distorções financeiras que criaram uma demanda artificial por imóveis residenciais, transformados na principal opção de investimento das famílias que acumularam cada vez mais poupança a partir de 2003.

Segundo o economista, há diferenças significativas entre o padrão de crescimento adotado entre 1997 a 2003 e de 2004 a 2011. O segundo período viu o que ele chama de "repressão financeira", com negativas taxas de juros sobre depósitos, aumento da poupança, redução do consumo e canalização de parcela cada vez maior da poupança das famílias para compra de imóveis, o que levou à estratosfera os recursos destinados ao setor.

Na primeira etapa, o investimento na construção de propriedades residenciais foi em média de 3,4% do PIB ao ano. O indicador subiu para 7,1% na etapa seguinte, até alcançar a marca de 9,4% do PIB em 2011.

 

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