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Investimento não é preocupação recente, rebate Fazenda sobre FMI

Em relatório, Fundo faz alerta sobre a economia brasileira e diz que governo precisa investir mais em infraestrutura

Altamiro Silva Júnior, enviado especial, Agência Estado

23 de outubro de 2013 | 20h32

O crescimento do investimento e o reequilíbrio dos motores que movem a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil não é um fenômeno recente como argumenta o Fundo Monetário Internacional (FMI) em relatório anual sobre a economia brasileira divulgado nesta quarta-feira, 23, de acordo com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland.

O Brasil tem dado atenção ao investimento desde 2006 e 2007, quando o governo passou a priorizar o setor de infraestrutura, diz Holland. "O que acontece agora é a ampliação desses investimentos, com o programa de concessões. Não é uma preocupação recente. Já estamos conduzindo essa agenda há um pouco mais de tempo", disse a jornalistas na sede da entidade na capital norte-americana.

Para Holland, no relatório, o FMI procura enfatizar que mais recentemente o Brasil vem buscando balancear os segmentos que puxam a economia, antes dominada pelo crescimento do consumo. O secretário disse que, nos últimos dez anos, o investimento aumentou a uma taxa anual de 5,7% e a economia cresceu a uma média de 3,6%, enquanto o consumo teve expansão de 4,3% ao ano. "Nos últimos dez anos, o investimento já estava crescendo acima da taxa média de expansão da economia brasileira. Portanto esse rebalanceamento de um modelo baseado em consumo para outro baseado em investimento já estava acontecendo há algum tempo."

Holland frisou ainda que, por conta de programas do governo para redução dos custos financeiros e tributário associados os investimentos, tem havido uma queda do preço do investimento em relação a média de preços da economia. Ou seja, os bens de capital ficaram mais baratos. Com isso, para aumentar a participação do investimento no Produto Interno Bruto (PIB), o aporte precisa crescer ainda mais.

Sobre a redução do crescimento potencial do País mostrada no documento do FMI, que baixou em 0,75 ponto porcentual, para 3,5%, Holland disse que o produto potencial é um artifício estatístico e que costuma espelhar, nas revisões estatísticas periódicas, muito os acontecimentos recentes da economia, que têm peso grande no cálculo. Ou seja, quando o país está em expansão, o crescimento potencial aumenta e quando desacelera, cai também.

Inflação. Segundo Holland, está dissipada grande parte dos riscos para a inflação brasileira. "Vários produtos alimentares estão com deflação. O Brasil passou por pressão de preços muito intensa."

Para Holland, ao analisar o comportamento da inflação brasileira no final de 2012 e começo deste ano, o relatório do FMI divulgado mais cedo dá pouca ênfase aos choques de preços de alimentos que o País enfrentou nos últimos dois anos, com secas nos Estados Unidos, no próprio Brasil, ou chuvas intensas, que levaram a quebras de safras e produção.

O preço dos alimentos, ressaltou o secretário, subiu como reflexo destes choques e chegou a responder por algo entre 40% e 50% dos índices de preços. Porcentual que no IPCA de setembro caiu para menos de 10%, segundo ele.

Ainda sobre o relatório do FMI, Holland disse que o documento fala pouco da melhora do nível de emprego no Brasil, enquanto a maioria dos países europeus enfrenta altos níveis de desemprego.

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