Investimento não tem o desempenho desejado, diz Tesouro

 Em relação a 2010, a alta dos investimentos de janeiro a agosto deste ano é de apenas 0,2%

Renata Veríssimo e Denise Abarca, da Agência Estado,

29 de setembro de 2011 | 15h41

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou nesta quinta-feira, 29, que os investimentos não estão com o desempenho desejado. "Melhorou um pouquinho em agosto, mas ainda é muito baixo". Em relação a 2010, a alta dos investimentos de janeiro a agosto deste ano é de apenas 0,2%. Segundo Augustin, além de a base de comparação (2010) ser alta, o nível de execução das obras não está dentro do esperado, atrasando os desembolsos.

"O governo quer reverter essa circunstância e manter a tendência de crescimento todos os anos. Há um empenho do governo para acelerar as obras", disse. Ele acredita que a troca de equipes em alguns ministérios pode ser um dos fatores para o atraso nas obras. "Tudo interfere".

Augustin, no entanto, disse que o governo continua trabalhando para que o crescimento dos investimentos este ano seja maior que a alta nominal do PIB. "Ter um crescimento bom é prioridade do governo. Estamos trabalhando com estas perspectivas, mas os resultados exigem atenção total", afirmou. "Isso vai melhorar até o final do ano, mas não vou fazer estimativas". Ele avalia que a desaceleração da economia este ano não é o principal fator de influência sobre o ritmo das obras.

Receita

O que mais chamou a atenção nos dados do Governo Central em agosto, divulgados nesta tarde pelo Tesouro, foi a queda no ritmo de crescimento das receitas, avaliou o economista da Tendências Consultoria, Felipe Salto, em entrevista há pouco à Agência Estado. "As receitas vieram muito abaixo do esperado", afirmou, acrescentando que isso também teve impacto sobre a despesas. De acordo com o economista, as receitas registraram expansão de apenas 5% na comparação a igual mês de 2010, bastante abaixo do crescimento de 15,1% apurado em maio, na mesma base de comparação. Salto cita maio como a melhor comparação, dado que tanto em junho quanto em julho as receitas estiveram distorcidas por fatores atípicos, relacionados ao Refis da Crise e a recolhimentos extraordinários de Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL).

A queda das receitas líquidas totais está relacionada aos dividendos, que, segundo ele, em agosto do ano passado totalizaram R$ 6,8 bilhões e, em agosto deste ano, apenas R$ 932 milhões. Na sua avaliação, as receitas devem mostrar alguma recuperação nos próximos meses, mas ainda assim o ritmo de aumento das despesas deve ser maior, o que é normal por causa da sazonalidade do período. "E isso vai comer o espaço que existe entre o desempenho no acumulado do ano e a meta de superávit de 2,15%", disse. No ano até agosto, o superávit do Governo Central atinge 2,64% do PIB.

O Governo Central em agosto teve saldo positivo de R$ 2,490 bilhões, valor bastante aquém dos R$ 11,184 bilhões apurados em julho. O resultado ficou abaixo da mediana de R$ 4,500 bilhões encontrada pela pesquisa AE Projeções, a partir do intervalo das estimativas entre um déficit de RS 1,000 bilhão e um superávit de R$ 11,500 bilhões. A expectativa da Tendências era de um superávit de R$ 4,000 bilhões. A instituição manteve, no entanto, sua previsão de R$ 7,000 bilhões para o resultado primário do setor público em agosto, a ser divulgado amanhã pelo Banco Central.

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