Investimento passional

Investimentos passionais, como obras de arte, relógios antigos e grandes vinhos, têm todas as qualidades de bens reais e são considerados objetos de reserva de valor ou que se valorizam com o tempo. Mas quais são as diferenças entre eles e investimentos-padrão?

FABIANO VALLESI, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2014 | 02h02

Os melhores exemplos de itens colecionáveis são aqueles que bateram recordes em leilões. Por exemplo, uma Ferrari NART Spider de 1967 que foi vendida por US$ 27,5 milhões e o quadro Three Studies of Lucien Freud, de Francis Bacon, que estabeleceu um novo recorde: foi vendido por US$ 143 milhões, em 2013.

Itens raríssimos e preciosos são um tipo especial de produto de luxo em que muitos HNWIs (do inglês high-net-worth individual ou pessoas com patrimônio líquido elevado) procuram "investir". Muitas vezes peças leiloadas com altíssimos preços têm toda uma história de proprietários famosos - algo que agrega valor e é impossível de replicar. É fácil de entender o aspecto positivo do prazer de possuir tais bens, mas sob uma perspectiva de investimento há alguns pontos negativos: itens colecionáveis não têm valor fundamental ou aspectos de geração de renda e não têm preço de mercado, pois a única maneira de descobrir o preço é vendê-los. Além disso, esses itens são ilíquidos e sujeitos a altos custos de armazenamento e transação. Eles também estão mais suscetíveis a mudanças de gostos e tendências de mercado. No entanto, os investimentos passionais são bens reais que trazem um retorno "emocional" com - ocasionalmente - um potencial retorno financeiro.

Em maio deste ano, as vendas de arte em Nova York acumularam US$ 2,2 bilhões. Em 2013, de acordo com a Fundação Europeia de Belas Artes (The European Fine Art Fair, ou Tefaf, na sigla em inglês), o mercado global de arte atingiu um volume recorde de vendas: US$ 64 bilhões, um aumento de 7,5% em relação a 2012.

O desempenho positivo dos investimentos passionais e o crescimento do mercado global de colecionáveis na última década coincidem com a alta do número global de HNWIs na Ásia e, principalmente, na China. Recente pesquisa do Instituto Hurun afirma que os super-ricos da China são grandes colecionadores: 70% afirmam que seu hobby favorito é colecionar. A categoria do índice global de arte mede o desempenho financeiro das escolas mais procuradas: arte moderna, antigos mestres, arte do século 19 e do pós-guerra, contemporânea e pinturas - como as tradicionais obras chinesas.

Já quanto às vendas de relógios em leilões, novos patamares foram atingidos. Quem possuía um cobiçado item conseguiu obter retornos muito acima de títulos e ações. Um exemplo é um Rolex "Paul Newman" Daytona bem preservado, que o ator Paul Newman usou no filme Winning. Esse relógio, que já custou menos de US$ 1 mil, superou US$ 1 milhão num leilão da Christie's em 2013.

O mundo dos relógios é cheio de histórias e lendas que ajudam a elevar seu preço, embora não haja como antever acontecimentos impactantes no mercado da arte. Uma marca de luxo bem conhecida aumenta a chance de retenção de valor ou até mesmo desempenho positivo. No entanto, é apenas um aspecto entre muitos, pois nem todo modelo de um grande fabricante mantém seu valor ao longo do tempo. O requisito mais importante continua sendo que o relógio seja raro.

Com o crescimento do mercado de leilões online e as compras cada vez mais comuns, o hábito de colecionar, que já foi reservado apenas a entusiastas bem informados, mudou graças a sites especializados e a diversos revendedores internacionais no mercado digital de leilões. Lentamente eles aumentam a transparência e, ao mesmo tempo, intensificam a concorrência. A internet tem facilitado em muito a pesquisa pré-compra, assim como facilita oportunidades de comercialização. A Tefaf calcula que as vendas online em 2013 totalizaram mais de US$ 3,2 bilhões, cerca de 5% das vendas globais no mercado da arte.

É ANALISTA DE PESQUISA DE ESTRATÉGIA

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