Investimento persiste em nível baixo

País precisará atingir a meta de investimento de 24% do PIB para que a economia recupere seu horizonte de crescimento sustentável

O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 06h18

Os principais indicadores do nível de investimento no País continuam fracos. Medido pelas contas nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados dessazonalizados, o investimento mal superou os 16% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre. Agora, a taxa de investimento medida pelo Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apontou recuo de 1%, também com ajuste sazonal, entre junho e julho de 2018.

É fato que a greve dos transportadores do final de maio provocou oscilações tão fortes no comportamento da indústria, em particular, e da economia, em geral, no bimestre maio/junho que os dados ficaram distorcidos. Após cair 10,8% em maio, o Indicador Ipea de FBCF avançou 9,3% em junho. Entre os trimestres fevereiro-abril e maio-julho os investimentos caíram 4,2%.

Números mais positivos são encontrados nas comparações de médio e de longo prazos. Entre julho de 2017 e julho de 2018, o investimento cresceu 4%. Em 12 meses, até julho, houve alta de 3,2% na comparação com os 12 meses anteriores, segundo o Ipea.

O consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came), que corresponde à produção doméstica líquida de exportações acrescida de importações, teve comportamento negativo, com queda de 7,6% entre junho e julho. A produção interna de bens de capital líquida de exportações recuou 2%, enquanto a importação de bens de capital caiu 12,1% na margem. No entanto, dados do comércio exterior de agosto registram uma evolução das importações de bens de capital, o que poderá alterar um pouco, para melhor, os números da taxa de investimento calculada pelo Ipea.

Mas outros dados são menos claros. O indicador de construção civil do Ipea cresceu pelo segundo mês seguido na série dessazonalizada, com alta de 1,7%, mas houve recuo de 3,7% na comparação entre os trimestres terminados em abril e em julho de 2018.

Os dados mostram o impacto negativo sobre os investimentos decorrente da lenta recuperação da economia no biênio 2017/2018.

O País precisará atingir a meta de investimento de 24% do PIB para que a economia recupere seu horizonte de crescimento sustentável. Nas duas últimas décadas, só entre 2008 e 2014 o investimento ficou próximo dos 20% do PIB.

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